cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    O MORDOMO DA CASA BRANCA

    Diretor Lee Daniels demonstra habilidade na condução
    Por Roberto Guerra
    30/10/2013

    Pode-se acusar o diretor Lee Daniels (Preciosa) de tudo, menos de falta de peito. Tem de ter coragem para tentar condensar os 80 anos da vida de um homem - e também a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos - num mesmo filme de pouco mais de duas horas.

    O cineasta foi audacioso, sim, mas também bem-sucedido. O Mordomo da Casa Branca não se detém por muito tempo nem em períodos da vida de seu protagonista, tampouco em momentos históricos marcantes. Mas dentro de suas limitações temporais consegue sintetizar sem fazer com que nada pareça desimportante aos olhos do espectador.

    Conhecemos Cecil Gaines (Forest Whitaker, quando adulto) ainda criança trabalhando em campos de algodão do sul dos Estados Unidos. Sem tempo a perder, Daniels remete o público de forma instantânea às iniquidades contra os negros numa sequência cruel e inquietante. O acontecimento marca o destino do menino, que sai da lavoura e vira "negro da casa". Ali aprende serviços de copa que posteriormente serão determinantes para seu futuro.

    Cecil Gaines certamente não esperava ir tão longe quando abandonou a fazenda para ganhar o mundo. Trabalha em casas de aristocratas e hotéis de luxo até entrar, inadvertidamente, para o time de mordomos da Casa Branca. Ao passo que acompanhamos a vida desse homem, somos testemunhas também de como preconceitos, veleidades e obstinação podem afetar a vida das pessoas para melhor ou pior. Há também a humanização, pressurosa mas eficiente, dos sete presidentes que Cecil viu passar pela sede do poder americano.

    A brevidade não impediu Daniels e o roteirista Danny Strong de explorar as contradições destes personagens. Eles têm pouco tempo de tela, mas este é bem usado. Dwight D. Eisenhower (Robin Williams), por exemplo, tem de lidar com uma escola secundária que se recusa a aceitar alunos negros. O na época vice-presidente Richard Nixon (John Cusack) vai à cozinha onde Cecil e seus colegas de trabalho estão para fazer campanha. Lyndon Johnson (Liev Schreiber), o homem que assinou o Ato dos Direitos Civis em 1964, grita impropérios sentado num vaso sanitário.

    A outra metade do filme envolve a vida pessoal de Cecil, que tem de enfrentar o alcoolismo da mulher Gloria (Oprah Winfrey) e a rebeldia do filho mais velho Louis (David Oyelowo), que acha o pai submisso e faz parte de grupos em luta pela igualdade racial. Conflitos não faltam e estes rendem boas atuações; Whitaker e Winfrey certamente devem receber indicações ao Oscar por suas atuações.

    O Mordomo da Casa Branca é baseado na vida de Eugene Allen, que trabalhou na Casa Branca entre as décadas de 1950 e 1980. O quanto de verdade sobre sua história está no Cecil do filme é difícil dizer. Não importa, na verdade. Resumir a vivência de alguém em algumas horas é impossível, assim como tentar sintetizar um período complexo da história americana.

    O que interessa mesmo é que não há dúvidas de que Lee Daniels é um diretor talentoso e inteligente, que sabe manipular bem o material que tem em mãos para contar uma boa história. É apressado pela necessidade, melodramático por opção, mas não deixa seu filme ser uma sucessão de "quases" graças o domínio que tem da técnica cinematográfica.