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    O CONSELHEIRO DO CRIME

    Novo filme de Ridley Scott é inconsistente e desaponta
    Por Daniel Reininger
    25/10/2013

    Quais regras estamos dispostos a quebrar para atingir nossos objetivos? Quando a linha da moralidade deixa de fazer sentido para justificarmos nossas escolhas? O roteirista Cormac McCarthy (Onde Os Fracos Não Têm Vez) tenta responder a essas perguntas ao abordar o decadente mundo das drogas. Com direção do premiado Ridley Scott, O Conselheiro do Crime mostra como nossas decisões fogem do controle assim que são tomadas e como pessoas diferentes encaram as consequências.

    Na trama, o advogado interpretado por Michael Fassbender encontra o amor nos braços de Penélope Cruz. Com problemas financeiros e intenção de dar a vida dos sonhos à sua amada, se envolve com o tráfico de drogas. Ele é inocente o suficiente para achar que pode ganhar dinheiro e, ao mesmo tempo, evitar fazer parte do mundo do crime, mas, obviamente, as coisas se complicam e ele percebe que sua vida está prestes a mudar para sempre.

    Embora o título no Brasil seja equivocado, afinal dá a entender que o advogado ativamente ajuda traficantes como parte de seu trabalho, o verdadeiro problema do filme está na inconsistência. O roteiro, por exemplo, não está entre os melhores trabalhos de McCarthy e, apesar de bons momentos, parece autoplágio de outros textos do autor, mas sem o peso de obras como A Estrada.

    Os diálogos também são problemáticos. Alguns não têm propósito, enquanto outros, como o inicial entre Michael Fassbender e Penélope Cruz, não soam verdadeiros. Scott, como diretor, também tem sua parcela de culpa, afinal ele prefere a superficialidade narrativa em prol de grandes cenas de ação. Tudo é muito bem feito tecnicamente, porém quando as coisas acalmam, perdem impacto.

    Um exemplo claro desse problema é a cena de sexo mais impressionante e ultrajante de Hollywood, na qual Cameron Diaz literalmente transa com um carro esporte diante de seu namorado traficante, interpretado por Javier Bardem. É o ápice da coisificação do ser humano, crítica forte presente no roteiro, porém que se perde com diálogos patéticos a respeito das mulheres, as quais nunca deixam de ser vendidas como objetos ou moedas de troca.

    Esse aspecto pode não incomodar a todos, mas fica difícil ignorar a forçada de barra para criar momentos icônicos do cinema. Só que a produção não escapa de clichês e absolutamente tudo comentado ao longo do filme se torna realidade em algum momento. Se alguém falou de determinado estilo de tortura, pode esperar vê-lo algumas cenas adiante.

    E embora Fassbender e Diaz estejam muito bem, outras estrelas não agradam. Bardem atua um tom acima e está mais para a caricatura de um traficante. Penélope Cruz é linda, mas neste filme se resume a isso. Brad Pitt, apesar da atuação consistente, parece ter entrado no modo automático e seus personagens estão cada vez mais parecidos uns com os outros.

    Mesmo com tantos problemas, a construção em direção ao clímax é interessante e o final é bom, mas não há suspense em momento algum. É fácil prever os acontecimentos e, na última cena, caso tenha sobrado alguma dúvida na mente do espectador, o vilão da história aparece para explicar exatamente todos os eventos das últimas duas horas – é o detalhe final que estraga de vez um longa com enorme potencial.