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    UM ESTADO DE LIBERDADE

    Longa cai em clichês e não acrescenta nada à temas relevantes
    Por Daniel Reininger
    11/11/2016

    Matthew Macconaughey entrega outra grande atuação em Um Estado De Liberdade, infelizmente o roteiro não acompanha seu talento e a narrativa peca em muitos pontos, inclusive na falta de desenvolvimento do personagem principal. Apesar da forte história de um homem que se opôs a tudo que considerava errado durante e após a Guerra Civil dos EUA, o longa é mais uma obra incapaz de causar impacto.

    Baseado em eventos reais e dirigido por Gary Ross, diretor do primeiro Jogos Vorazes, a trama acompanha Newton Knight entre 1862 e 1876 e mostra como o enfermeiro do exército confederado abandona a guerra de secessão, volta pra casa e passa a lutar pelos direitos de seus vizinhos e escravos que esperam a libertação, se tornando um verdadeiro Robin Wood dos pântanos do Mississipi.

    O começo é interessante o suficiente para prender a atenção do espectador, a história de Newt é inspiradora e a forma como ele cria um exército para lutar pelo que é certo funciona na tela. O problema é que mesmo essa parte da história começa a ficar arrastada perto do final. Pior ainda o fato de essa ser apenas metade da história. As coisas vão por água abaixo de vez no segundo ato, quando a narrativa mostra a vida de Newt e de ex-escravos no pós-guerra com o fim da escravidão.

    Essa segunda parte se arrasta demais, é longa, cansativa e acrescenta muito pouco realmente à trama, já que não mostra crescimento pessoal de praticamente nenhum personagem. Moses, interpretado por Mahershala Ali, é uma das exceções e seu personagem deveria ter mais tempo de tela.

    Pior ainda é o fato de a trama alternar a história de Newt com cenas do julgamento de um descendente de Knight ocorrido 85 anos depois. Além de contar spoilers da história, por revelar detalhes da trama antes deles acontecerem, serve apenas para mostrar que ainda existia racismo no sul dos EUA no meio do século XX, algo que todo mundo está cansado de saber e é uma realidade ainda hoje, mesmo que em escala menor.

    O fato de Newt se mostrar um exímio estrategista e líder inspirador soa um pouco exagerado. Talvez o personagem histórico tenha mesmo sido tudo isso, mas na telona parece forçado como um homem só, aparentemente sem experiência de combate, consegue fazer tudo sozinho e ainda ser um grande defensor dos direitos civis e da igualdade.

    Poderia ser interessante ver como Newt teve ajuda de coadjuvantes, como o próprio Moses, citado acima, ou Rachel (Gugu Mbatha-Raw), para se tornar o líder inspirador que se tornou, mas pelo roteiro parece que o protagonista já sabia tudo que precisava saber antes mesmo de decidir lutar contra as forças do sul dos EUA.

    Ao menos o longa é bonito esteticamente, com belas cenas filmadas nos pântanos do Mississipi ou nos campos do sul dos EUA. As cenas de batalha funcionam e a decadência da região ao longo dos anos fica muito clara graças aos cenários bem detalhados e fotografia dramática, com variações de luz e sombra, em momentos chave da trama.

    Um Estado de Liberdade poderia ter muito a dizer, mas cai em clichês e não acrescenta nada à discussão de temas como racismo e preconceito. Como filme de guerra, tem seus momentos, mas como história de um homem interessante fica devendo, afinal, Newt é o mesmo ao longo de toda a história e ver o crescimento do personagem era de extrema importância para a trama funcionar do começo ao fim.