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    THE POST - A GUERRA SECRETA

    Por Daniel Reininger
    22/01/2018

    Steven Spielberg é um dos maiores cineastas por saber balancear uma boa narrativa com drama, emoção e momentos épicos. É o tipo de detalhe que ajuda na hora de contar histórias marcantes e diferentes como A Lista De Schindler, E.t. - O Extraterrestre e tantas outras obras assinadas por ele. Agora, o mesmo acontece em The Post - A Guerra Secreta, no qual o diretor transforma um drama de jornalismo em um épico capaz de mudar o destino de uma nação, mas faz isso sem pesar a mão.

    O longa traz Meryl Streep como Kay Graham e Tom Hanks no papel de Ben Bradlee, dona e editor do The Washington Post, respectivamente. O longa conta a história de como o jornal enfrentou o governo Nixon para apoiar o The New York Times, que publicou trechos dos Papéis do Pentágono, nome popular do documento ultrassecreto de 14 mil páginas do governo dos Estados Unidos sobre a história e planejamento da Guerra do Vietnã.

    Esses documentos revelaram - em detalhe - a manipulação e corrupção do governo norte-americano em relação à guerra. Para tentar se proteger, o presidente Nixon vai contra o New York Times, e o The Washington Post fica numa posição complicada: apoiar a liberdade de expressão ou ceder à pressão do governo sob risco de ser destruído como consequência.

    A questão principal do filme é que é fácil ter princípios quando não existem riscos e o longa gira em torno exatamente dessa questão. Ben Bradlee representa a integridade jornalística e acredita que toda punição que podem sofrer é justificável para defender a liberdade de expressão. Já Kay Graham não quer assumir o risco de acabar com o jornal da família, destruir vidas no processo e ainda precisa enfrentar uma diretoria machista, que não consegue aceitar ter uma mulher como líder.

    É interessante ver Meryl Streep num personagem tímido, incapaz de conquistar a todos com sua personalidade, afinal ela é marginalizada em sua própria empresa. A evolução de sua personagem é um dos aspectos mais interessantes do longa, com atuação precisa e convincente da veterana. Aos poucos, ela precisa vencer barreiras e se tornar mais confiante e poderosa, mas a pressão da situação a obriga a fazer isso em apenas alguns dias e com o destino de sua empresa em jogo. É algo maravilhoso de se ver na telona.

    Tom Hanks faz o par ideal para Meryl, como o homem determinado e cheio de ideologia, que ajuda Kay a analisar a situação, sem nunca colocá-la para baixo ou mentir para ela. Sua atuação é sólida e o par domina a tela com competência, algo mais do que esperado quando se une esses dois grandes atores em uma mesma produção.

    O filme é uma história pequena sobre publicar ou não algo em um jornal local. Poderia ser um drama simples sobre o dia-a-dia de uma redação, com menos impacto, mas Spielberg transforma uma história simples em algo épico e grandioso, com impactos que vão além da redação, mesmo que não mostre, com realismo, como funciona a rotina de uma publicação, algo que filmes como Todos Os Homens Do Presidente fizeram muito bem anteriormente.

    A ideologia dos personagens leva a grandes diálogos envolvendo as figuras centrais e esses momentos de discussão e reflexão com grandes atores fazem desse longa uma obra obrigatória. É um filme que valoriza o jornalismo e, apesar dos conflitos, proporciona uma sensação positiva, afinal, todos querem acreditar que existem pessoas capazes de defender ideais mesmo diante das maiores adversidades.