cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    A VIDA SECRETA DE WALTER MITTY

    Leve e criativo, filme decepciona no final
    Por Daniel Reininger
    20/12/2013

    A Vida Secreta De Walter Mitty é uma fábula cômica sobre o potencial desperdiçado de pessoas comuns. A adaptação dirigida por Ben Stiller expande o clássico conto de James Thurber e o atualiza para o mundo corporativo do século XXI. Originalmente publicado na revista The New Yorker, em 1939, o texto entrou para a cultura americana e seu protagonista se tornou sinônimo de uma pessoa ineficaz e sonhadora, caracteristicas que o filme captura muito bem.

    No longa, Walter Mitty (Stiller) é um homem tímido e solitário, gerente da área de fotografia na revista Life. Ele sofre com o fato de ter sido uma criança divertida e ter crescido como adulto chato e precisa imaginar situações fantasiosas para se sentir realizado. Essa fuga do personagem garante ótimas cenas que abusam da computação gráfica - como combates estilo Vingadores -, mas também reforçam o tamanho da depressão de Walter.

    Prestes a ser demitido após a compra da revista por um grupo que pretende transformá-la em site, o protagonista se apaixona por Cheryl Melhoff (Kristen Wiig), colega com quem não tem coragem de falar. Para piorar, ele se vê pressionado para entregar a foto perfeita para a capa da última edição. O problema é que o negativo da imagem em questão desaparece e ele é obrigado a seguir as pistas deixadas pelo famoso fotografo Sean O'Connell (Sean Penn) para encontrá-lo.

    O roteiro de Steve Conrad (À Procura Da Felicidade) usa a comédia como ferramenta para mostrar a crise existencial dos personagens e Stiller garante boas risadas mesmo nos momentos mais profundos. O problema do texto é não conseguir fugir de clichês e piadas batidas, que atrapalham o tom criativo mostrado ao longo da produção, a qual utiliza elementos visuais e sonoros para construir uma história fantástica.

    Exemplo disso é o uso da finada revista Life, cuja última edição foi publicada em 2000, como locação. É clara a ironia, afinal o protagonista não sabe como aproveitar a vida. O local e seu lema positivista ainda funcionam como metáfora para a forma como as relações humanas se tornam frias com a digitalização de cada aspecto do cotidiano.

    Os cenários também procuram expressar essa ideia. O escritório onde Walter trabalha possui estilo retrô, quase como se tivesse saído da série Mad Men - é algo orgânico e vivo. Já o resto do prédio possui corredores estéreis que contrastam com as capas das revistas, repletas de celebridades e momentos importantes, penduradas nas paredes. Locações como Groenlândia, Islândia, Afeganistão garantem tom exótico ao filme, mostradas com enquadramento criativo ao som de canções pop.

    No início, é muito fácil discernir entre fantasia e realidade, com cenas óbvias, como quando o protagonista sai da parede, vestido de alpinista e, com sotaque latino, tenta seduzir sua amada. Ao longo do filme, a narrativa faz com que se perca essa noção e fica difícil perceber se a aventura é real ou imaginária. É aí que as coisas começam a ficar ainda mais interessantes. Infelizmente, perto do final, a história perde ritmo e o desfecho desaponta.

    Mesmo com alguns problemas, A Vida Secreta de Walter Mitty é leve, capaz de incitar o espectador a aproveitar as chances que a vida proporciona.  Afinal, todo ser humano já pensou, em algum momento, em jogar tudo para o ar e partir para uma grande aventura. E esse filme proporciona uma grande oportunidade para escapar da realidade e sonhar.