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    UM TIME SHOW DE BOLA

    Animação 3D argentina é bem feita e envolvente
    Por Roberto Guerra
    27/11/2013

    O reverenciado cineasta argentino Juan José Campanella faz duas grandes homenagens neste filme que marca sua estreia no território da animação. Uma logo nos primeiros minutos ao diretor Stanley Kubrick – não darei detalhes para não estragar a surpresa – e outra ao futebol, paixão dos brasileiros e também dos hermanos vizinhos.

    O curioso é saber que o diretor de O Filho da Noiva não é fã do esporte nem torce por nenhuma agremiação. Fez Um Time Show de Bola para tratar de temas de seu interesse como autor: amizade, amor, superação de limites e trabalho em equipe. Fato é que, intencionalmente ou não, acabou por fazer um filme crítico ao futebol praticado hoje, cada vez mais distante desses valores.

    O protagonista é o jovem e tímido Amadeo. Ele trabalha num bar e se diverte jogando totó, o futebol de mesa também conhecido como pebolim. Despachado no jogo e nada desenvolto na vida pessoal, tem dificuldades em se declarar para sua grande paixão, Laura. Certo dia é desafiado pelo pretensioso Grosso para uma partida. Mesmo aos trancos e barrancos, vence e humilha o pedante rival.

    Há um salto temporal e voltamos a encontrar Amadeo já um rapaz. As coisas não mudaram muito em sua vida. Continua a trabalhar no bar, brincar na mesa de totó e ainda não revelou seu amor por Laura. Já Grosso virou Ezequiel Ribeiro, o melhor jogador de futebol do mundo. Ele volta à pequena cidade onde foi humilhado disposto a se vingar da única derrota que sofreu na vida. Para piorar, quer conquistar Laura. Desesperado, Amadeo conta com a inesperada ajuda dos bonecos de pebolim que magicamente ganham vida.

    Campanella aproveita-se do duelo entre protagonista e antagonista para condenar tudo que vai de encontro aos valores mencionados há pouco. Ezequiel é egocêntrico, individualista e narcisista. De forma bem direta, o diretor critica o culto ao craque em detrimento ao trabalho em equipe. Num dos muitos momentos divertidos do longa, antes de uma partida, são elencados os inúmeros patrocinadores do todo-poderoso time do supercraque Ezequiel – uma lista que não acaba mais.

    O roteiro tem alguns furos aqui e ali. Não é muito credível que alguém que se tornou um grande astro do futebol volte a uma cidadezinha apenas para se vingar por uma partida de totó perdida quando criança. Outro deslize: o que traz à vida o primeiro boneco é uma lágrima de Amadeo. A trama só não explica como os outros jogadores ganharam vida mesmo estando distantes do local. Tropeços mínimos que não chegam a suprimir o prazer de se assistir a essa animação tecnicamente bem feita e envolvente.