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    TIRO NA CABEÇA

    Com seus altos e baixos, o filme poderia ser uma daquelas furadas da Mostra, mas seu bom desfecho muda tudo.<br />
    Por Paulo Cintra
    21/10/2012

    O demônio pode ter mil faces, a de um policial corrupto, a de um traficante com ligações poderosas ou então surgir na forma de um texto assinado anonimamente. Pode parecer um pouco confusa esta afirmação, mas ela resume muito bem o que é o roteiro de Tiro na Cabeça.

    No enredo, Tul é um policial incorruptível que vê sua vida despedaçar após prender o irmão do poderoso ministro local. Vítima de uma armação, recebe um convite para se tornar assassino de aluguel. Depois de algum tempo na função, um de seus trabalhos dá errado e ele é baleado. Ao acordar no hospital, após meses em coma, algo estranho acontece: agora ele enxerga tudo de cabeça para baixo.

    Na verdade, poucas cenas retratam o problema adquirido pelo protagonista. A visão invertida funciona mais como uma metáfora sobre os valores que a sociedade, e o próprio personagem, desenvolveram ao longo de sua existência. Existem questões filosóficas e morais contracenando a todo o momento com tiros e muito sangue, mistura entre drama e ação, ao melhor estilo shooter.

    Essa transição de gêneros faz com que o público se distancie da história por vários momentos. A montagem nada convencional e os flashbacks constantes ajudam a confundir a trama, deixando claro que esta não era a melhor maneira de apresenta-la.

    O roteiro parece um grande quebra-cabeça que passa boa parte totalmente incompleto, para ser montado nos últimos dez minutos. A fórmula até funciona, porém não empolga. Além disso uma das peças não se encaixa, por sorte é algo apenas secundário e não prejudica o bom desfecho.

    Aí está o maior mérito de Tiro na Cabeça: sua conclusão. O longa começa a todo vapor e cai aos poucos, criando muitos minutos de monotonia e cenas mal explicadas. Quando você já está pronto para não dar mais crédito ao filme, ele se recupera e começa a dar respostas bem mais convincentes para justificar eventos anteriores. Fica evidente como o fim da trama consegue agradar e a recupera de um resultado que poderia ser frustrante.

    Apesar dos altos e baixos, o diretor tailandês Pen-Ek Ratanaruang realizou um bom trabalho, não é à toa que a produção será a representante do país no Oscar 2013. O protagonista Nopachai Chaiyanam tem uma atuação convincente, mas o fraco elenco de apoio fica nitidamente deslocado nas cenas mais lentas ou com diálogos extensos.

    Tiro na Cabeça poderia ser uma daquelas furadas que a Mostra de Cinema de São Paulo adora exibir. No entanto, seu bom desfecho muda tudo e faz com que o filme seja inclusive uma boa indicação aos fãs dos diretores Guy Ritchie (Rock'n'Rolla), Álex de la Iglesia (Balada do Amor e do Ódio) e Paco Cabezas (Carne de Neon).


    SESSÕES DA MOSTRA


    20/10 - Matilha Cultural (14h)
    21/10 - Espaço Itaú de Cinema – Pompéia - Sala 9 (21h25)
    24/10 - Livraria Cultura - sala 2 (17h30)
    25/10 - Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca - Sala 4 (17h45)
    29/10 - CINUSP(19h)