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    TITEUF: O FILME

    Com traços simples e humor discreto, animação pré-adolescente tem abordagem interessante mas não empolga<br />
    Por Cristina Tavelin
    23/03/2013

    Adaptação da famosa história em quadrinhos francesa que também virou desenho animado para a TV, Titeuf: O Filme narra o dia-a-dia do personagem homônimo e seus dilemas pré-adolescentes: escola, amigos, relacionamento com meninas, busca por mais liberdade. Entretanto, a linguagem meio blasée o engessa para um público específico ao invés de dar asas à imaginação e ao tema abordado.

    A trama mostra a visão do protagonista sob a crise no casamento dos pais. Como dois franceses bem esclarecidos, eles resolvem dar um tempo e a mãe de Titeuf vai morar fora com a filha pequena, deixando os homens da casa por conta própria. Na escola, o menino se interessa por Nadia, que não lhe dá bola. E com a intenção de ser convidado para a festa de aniversário da garota, tenta unir seu pai à mãe dela, a qual pensa também estar separada.

    O traço da animação segue exatamente o dos quadrinhos e do desenho animado francês. E talvez esse seja o maior mérito da película: manter uma estética simples para falar sobre temas cotidianos que permeiam a vida de tantos jovens, apesar de o desfecho otimista não dizer respeito à maioria dos casos.

    Destinado a um público bem específico - e sem pretensão de ir além disso -, Titeuf soa cansativo para quem já passou dos 12 ou 13 anos. Nas tirinhas, o personagem criado por Philippe Chappuis tem mais liberdade para unir humor e ironia ao tratar de debates sociais e culturais de forma sutil, um aspecto quase ausente na versão cinematográfica.

    Mas é interessante notar como uma nova abordagem tem sido desenhada para o público mais jovem. A noção de família e as mudanças nessa base se desvelam no longa e na cabeça do espectador, algo extremamente benéfico para tornar menos deslocado um tema tão comum nos dias de hoje, como o da separação.

    Entretanto, mesmo fazendo do assunto algo mais compreensível e simples de assimilar, Titeuf não perde um certo ar francês, restringindo impacto a um número menor de espectadores. Personagens discretos são coadjuvantes nessa trama de tom juvenil e intimista, longe da realidade emotiva dos países latinos. As situações tem um humor peculiar, até mesmo introspectivo.

    Devido a esses aspectos, talvez a animação não empolgue muito aqui no Brasil, exatamente por ter uma abordagem menos calorosa. Porém, na era das animações em 3D e de mundos imaginários tão distantes, nada como uma boa dose de realidade - principalmente para aqueles que precisam ter noção mais clara dela em uma fase de tantas mudanças na vida.