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    TOLERÂNCIA

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    O cinema brasileiro volta a beber numa de suas fontes preferidas: o drama erótico com inclinação policial. Já deu certo antes com Faca de Dois Gumes, e pode funcionar outra vez no competente Tolerância, dirigido pelo gaúcho Carlos Gerbase.

    Tolerância não é exatamente o primeiro longa-metragem de Gerbase, mas de certa forma marca a sua "reestréia" no cinema, já que seu longa anterior - Verdes Anos - foi feito há 16 anos e não chegou a ter um lançamento nacional adequado. Desta vez, porém, Gerbase conseguiu um grande lançamento, com direito a mídia, assessoria de imprensa e distribuição garantida pela poderosa Columbia Pictures.

    A história começa mostrando dois profissionais especializados na arte de iludir e enganar: Julio (Roberto Bomtempo) edita fotografias para uma revista masculina, "consertando" com seu computador os defeitos estéticos das modelos. Sua esposa, Márcia (Maitê Proença, numa surpreendentemente boa atuação) é uma advogada sem muitos escrúpulos. Entre os dois reina um clima de falsa tolerância: modernos, eles teoricamente admitem alguns "pulos de cerca" no casamento. Teoricamente...
    Mesmo tendo uma sensual esposa ao seu lado, Julio prefere o sexo via internet. Até o dia em que ele conhece Anamaria (Maria Ribeiro), amiga da sua própria filha, ninfetinha pela qual ele se apaixona. Tem início uma história de paixões, traições e reviravoltas onde nada é exatamente o que parece ser. Como na internet.

    Se - cinematograficamente - Tolerância tem uma estética apenas simples, enxuta, quase televisiva (vale lembrar que Gerbase dirigiu minisséries globais como Memorial de Maria Moura e Engraçadinha), o mesmo não se pode dizer do instigante e envolvente roteiro, escrito a seis mãos pelo próprio Gerbase em parceria com Jorge Furtado e Álvaro Teixeira. Nos primeiros minutos, Tolerância parece que vai se inspirar no existencialismo de Walter Hugo Khouri. Porém, logo o espectador percebe - aliviado - que o filme não vai permanecer apenas no plano das idéias e das reflexões. Pelo contrário, ele vai além, muito além, sempre brindando o público com dúvidas e armadilhas perspicazes, como deve acontecer num bom drama policial.

    Competente e eficiente, o filme envolve e prende a atenção do espectador. É mais um belo trabalho brasileiro que merece ser conferido na tela grande. Contudo, prepare os seus ouvidos para tolerar o português completamente errado que domina os gaúchos nos últimos anos. Falar "tu foi" e "tu viu" não é sotaque: é assassinato da nossa língua.



    06 de novembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br