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    TOLKIEN

    Por Daniel Reininger
    22/05/2019

    Cinebiografias são obras complicadas, especialmente quando contam a vida de alguém como J.R.R. Tolkien. O filme do finlandês Dome Karukoski tomou a sábia decisão de focar no começo da trajetório do famoso autor de O Senhor Dos Anéis e criou algo interessante, um conto épico e quase fantasioso sobre a vida do escritor.

    Karukoski declarou mais de uma vez ser fã de O Senhor dos Anéis, então construiu uma história leve e muitas vezes fantástica sobre amor e amizade, elevando Tolkien a um herói, como os vistos em suas obras. Se você admira o trabalho do autor, certamente vai se emocionar com a trama contada aqui.

    Ao focar nos anos de faculdade e na Primeira Guerra Mundial, a narrativa central se dá em torno das amizades de Tolkien e suas dificuldades no começo da vida. É uma história sobre família, no caso, seus amigos: Christopher Wiseman (Tom Glynn-Carney), G.B. Smith (Anthony Boyle) e R.Q. Gilson (Patrick Gibson). Os jovens pretendem mudar o mundo através da arte e cada um deles é apaixonado por uma área diferente. Juntos, passam muitas noites tomando chá e debatendo questões diversas, sempre apoiando uns aos outros.

    Essas questões se tornam a base para o clássico do autor, com o filme trazendo analogias da guerra com Mordor, seu amor com a relação entre Aragorn e Arwen, a Sociedade do Anel baseada em suas amizades e o Condado, o local bucólico onde morou pela última vez com sua mãe, antes de ir para Birmingham, uma cidade suja e barulhenta no coração da Inglaterra. 

    Temas como a beleza natural contrastam com os horrores da guerra. Essa divisão de narrativas é um dos pontos mais fortes do filme, afinal, sempre que o lado água com açúcar é demais, o longa corta para a brutalidade da vida nas trincheiras. Assim como O Senhor dos Anéis, essa biografia mostra o lado bom e mal do mundo lado a lado e como pessoas comuns se tornam heróis ao enfrentar cada desafio e, ao mesmo tempo, serem capazes de aproveitar seus encantos no caminho.

    O elenco funciona bem e a química entre Hoult, Glynn-Carney, Boyle e Gibson é bastante clara na tela. Collins é ótima como Edith e faz um belo par com o protagonista, mas poderia ter mais espaço na tela. Quando o elenco funciona e os diálogos são bons, qualquer história sai ganhando.

    Até por isso Tolkien é um filme muito interessante. Graças ao olhar cuidadoso do diretor e do elenco, temos uma história apaixonante, que não entra muito em detalhes, verdade, mas consegue se tornar uma jornada imersiva e emocionante ao passado de um dos autores mais admirados do último século. Não é um filme para todos, mas quem se interessa pelo tema certamente sairá satisfeito do cinema.