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    TOMB RAIDER - A ORIGEM

    Por Daniel Reininger
    14/03/2018

    Quando vimos Alicia Vikander nas primeiras imagens de Tomb Raider - A Origem, todos se espantaram com a proximidade do visual dos games mais recentes. E quando os primeiros vídeos mostravam ela correndo pela floresta, tudo indicava um longa incrível, com a mesma intensidade do jogo de 2013 e, claramente, superior aos longas com Angelina Jolie. Só que não foi o caso.

    Apesar da boa primeira impressão e da qualidade de Alicia como atriz, o novo filme é genérico, cru e incapaz de empolgar. É um longa para assistir, achar legalzinho e esquecer em seguida. Para quem jogou, é uma decepção ver diversos elementos ignorados e a própria construção da personagem reduzida a uma relação mal resolvida com o pai. Pior, a própria aventura não é tão emocionante assim.

    Basicamente, Lara Croft é uma jovem tentando ganhar seu próprio dinheiro e encontrar seu lugar do mundo. Ela não quer herdar o dinheiro de seu pai, porque assinar os papéis seria admitir a morte de seu herói. Tudo muda quando ela recebe uma pista de onde ele pode estar perdido e decide seguir as pistas para encontrá-lo. Isso a leva a uma ilha aparentemente deserta e local de uma lenda oriental assustadora.

    + Exclusivo: Alicia Vikander fala de Tomb Raider, Indiana Jones, feminismo e Oscar

    A evolução da personagem, de garota perdida à grande heroína de ação, um dos elementos mais interessantes do game de 2013, é deixada de lado. No jogo, ela se torna badass após estar numa situação desesperadora numa ilha amaldiçoada e tomada por vilões. No filme, ela já é uma pessoa formada em todos os aspectos e seu único dilema real é a relação com seu pai e como encara o objetivo de vida dele. Não existe uma evolução ao longo da narrativa.

    Aliás, a relação de Lara com o pai já era um problema no filme original com Jolie e volta a ser uma questão negativa nesse. Sim, o pai é importante para a formação de Lara, mas o melodrama exagerado não funciona. 

    Em comparação com o longa anterior, por sinal, o novo é mais pé no chão e bem menos divertido. Falta emoção, faltam surpresas, faltam reviravoltas, faltam vilões decentes e sobram cenas sobre o pai de Lara. E, sobre a comparação entre Angelina Jolie ou Alicia Vikander, aí é uma questão de gosto. Alicia é mais crua e real. Jolie é mais idealizada. As duas são grandes atrizes, mas Alicia se leva mais a sério no papel. Talvez a sério demais.

    Aliás, o longa se leva a sério demais. Falta vida ao vilão. A mitologia foi reduzida a lendas, a loucura de certos personagens é mostrada apenas quando interessa e o clímax é irrelevante. Além disso, o longa se preocupa demais em fazer os espectadores entenderem exatamente o que leva Lara à ilha onde acredita que seu pai esteja perdido e explica a lenda da rainha amaldiçoada japonesa diversas vezes, repetindo diálogos explicativos à exaustão.

    Por sinal, as falas são esquisitas e não conseguem passar realismo. Discussões sobre o destino da humanidade parecem jogadas a cada duas ou três cenas para tentar dar alguma relevância a tudo aquilo que vemos na telona.

    Nem a aventura empolga, apesar de trazer todos os elementos esperados do longa. Exploração de tumbas? Check, mas não empolga. Saltos impossíveis? Check, mas são desnecessários. Combates com arco e flecha? Check, mas são raros e sem graça. Vilão canastrão e psicopata? Check, mas é um dos maiores problemas do filme, tanto pela péssima atuação de Walton Goggins quanto pelo roteiro bobo. Conspirações secretas e seitas misteriosas? Check, mas não há surpresa, não há revelações e nada disso importa de verdade.

    Alguns cenários são realmente interessantes, como o píer de Hong Kong, e é ainda mais interessante saber que o longa usa muitos efeitos práticos ao invés de CGI, mas quando importa mesmo, o longa é preguiçoso. A tumba é basicamente uma série de corredores sem muita personalidade. E o resto do tempo Lara está no mar ou na floresta.

    Sem falar no exagero de fan service desnecessário, presente para agradar aos fãs dos jogos, mas sem entender que o que agrada mesmo é uma história boa e condizendo com a qualidade dos games e não easter eggs e pequenos momentos de aceno aos jogos.

    Tomb Raider - A Origem é um filme raso e desinteressante. Apesar de Alicia mandar bem no papel pela maior parte do tempo, o roteiro preguiçoso acaba com as chances do filme ser memorável. É triste admitir que o primeiro filme com Angelina Jolie ainda é melhor que esse reboot. Ao menos, esse longa é melhor do que Assassin's Creed e a maioria dos filmes baseados em games dos últimos anos, não que isso chegue a ser um elogio, considerando a qualidade da maioria das adaptações.