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    TOMBOY

    Filme mostra como nascem o preconceito e a intolerância sem discurso panfletário ou levantar bandeiras<br />
    Por Edu Fernandes
    11/01/2012

    Em tempos em que a homofobia é tema de debates em diversas esferas, o filme Tomboy ganha importância ao mostrar como nascem o preconceito e a intolerância. E o faz sem a necessidade de levantar bandeiras ou aplicar um discurso panfletário.

    A produção francesa que ganhou o último Festival Mix Brasil conta a história da garota Laure (Zoé Héran), que se muda com sua família para um novo apartamento durante as férias de verão. O condomínio conta com uma vasta área verde que é usada para brincar pelas crianças. Ao se apresentar aos novos vizinhos de sua faixa etária, Laure prefere se passar por um menino e usa o pseudônimo Michaël.

    Como tem apenas dez anos, a falta de curvas em seu corpo facilita o disfarce, mas não a livra de situações em que precisará de jogo de cintura para manter a farsa. Laure não tem problemas em jogar futebol no time sem camisa. No entanto, quando todos procuram um muro para se aliviar, ela precisa inventar uma desculpa e se afastar do grupo.

    Outra ocasião que coloca em risco a mentira é uma tarde de banho em uma represa. Ela resolve o problema do traje de banho com uma tesoura e um maiô. Depois, usa massa de modelar para criar volume debaixo de sua sunga improvisada.

    Todo o esforço da protagonista é motivado pela paixão que sente por Lisa (Jeanne Disson), uma das moradoras do condomínio. Todas as crianças aceitam a presença de Michaël e nem suspeitam que, na verdade, é uma menina. A farsa é tão bem-sucedida que os sentimentos de Laure por Lisa parecem ser correspondidos.

    Depois de estabelecida a aceitação de Michaël na turma, a questão da gênese do preconceito é retomada quando Jeanne (Malonn Lévana), a irmã mais nova de Laure, descobre tudo. Quando se espera que a menina alardeie aos quatro ventos a mentira de sua irmã, o que acontece é o contrário. Jeanne acha uma boa ideia entrar no jogo. Julga que ter um “irmão” mais velho seja mais eficiente porque, na visão dela, Michaël seria mais competente do que Laure para defendê-la das provocações de outras crianças.

    Jeanne age de tal maneira por causa de sua pureza. Ela ainda não foi bombardeada com argumentos de ódio ou de respeito e, por isso, age de forma natural. A menina acha que sua irmã mais velha tem o direito de se passar por um garoto se isso a faz feliz. Alheia à discussão dos adultos, Jeanne não confronta, apenas aceita.

    Tomboy só funciona porque o filme oferece um primoroso trabalho do elenco-mirim, como o cinema francês já nos presenteou em outros casos (Stella e O Pequeno Nicolau, apenas para citar dois exemplos). Tanto os papéis principais quanto os coadjuvantes são defendidos por pequenos atores de grandes talentos, o que dá ao enredo autenticidade.