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    TOQUE DE MESTRE

    Thriller protagonizado por Elijah Wood cativa pela tensão
    Por Daniel Reininger
    02/04/2014

    Toque de Mestre é um thriller tenso. Cativa pela tensão criada pelo diretor espanhol Eugenio Mira com a história absurda de um pianista prodígio - que precisa fazer o melhor concerto da carreira para salvar a própria vida e a de sua esposa.

    Embora os acontecimentos sejam bastante improváveis, o filme é dirigido com habilidade e mantém o suspense até o final. Nem mesmo a revelação das motivações do assassino – um tanto banais - estraga a produção, que diverte também por não se levar a sério o tempo todo.

    Elijah Wood interpreta Tom Selznick, prodígio do piano incapaz de superar a desastrosa apresentação responsável por encerrar sua carreira cinco anos antes. O retorno aos palcos acontece para homenagear seu falecido mentor e a pressão é enorme. Hostilizado por colegas e desconhecidos, supera seu medo e inicia bem, até que começa a ver ameaças escrita à mão nas partitura: "Toque uma nota errada e você morre".

    O longa está mais preocupado em provocar do que assustar e o diretor se diverte ao explorar cada situação. O medo do protagonista de subir ao palco já o deixa no limite da sanidade desde o começo, por exemplo. Isso abre possibilidades diversas, inclusive a das ameaças de morte serem alucinações causadas por seu pânico.

    Sem revelar demais, o roteiro de Damian Chazelle se mostra interessante e bem amarrado. Detalhes como a presença do rádio para permitir conversas entre vilão e vítima e o sumiço da partitura mais importante da noite conferem tom de urgência aos eventos. O mesmo vale para as ameaças à vida da esposa de Selznick.

    O longa funciona também graças à ótima atuação de Elijah Wood. Quando aparece pela primeira vez, está tão assustado que é difícil levá-lo a sério como astro da música. Porém, diante do piano, se transforma; conforme a tensão cresce, ganha confiança. Além disso, o ator tem grande auxilio do elenco, principalmente do excelente John Cusack como a voz malévola do sádico assassino.

    Eugenio Mira cria tensão também com a movimentação da câmera: ela ronda o piano, como predadores rondam a caça, muda o ângulo abruptamente e mostra o protagonista interagindo com o vilão pela luneta do rifle. Closes dramáticos alternados com planos abertos se completam e reforçam a sensação de absurdo da situação.

    O tom da produção beira o melodramático por vezes, mas, no final das contas, tudo se encaixa de forma harmoniosa. A cena de luta ao som de Sometimes I Feel Like a Motherless Child invoca o desespero e é bom exemplo de como o cineasta brinca com som e imagem.

    Com grande atenção aos detalhes, Toque de Mestre se revela uma boa opção para quem gosta de suspense. Só faltou mais audâcia para finalizar a produção de forma impactante.