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    TRANSTORNO EXPLOSIVO

    O longa traz ao público uma reflexão sobre como o desamparo e falta de afeto podem gerar desastrosas situações na vida de uma pessoa.
    Por Thamires Viana
    08/02/2021 - Atualizado há 9 meses

    Transtorno Explosivo é um daqueles filmes que trazem uma temática forte e poderosa embalada em um ritmo acelerado para contar sua história. Com direção de Nora Fingscheidt, o longa acompanha Benni (Helena Zengel), uma menina de nove anos com comportamento agressivo e imprevisível que está sob os cuidados do serviço social.

    Com o roteiro escrito pela própria Nora, o filme mergulha na mente revoltada da criança para tentar - em vão - compreender os motivos que desencadeiam seus traumas. Deixada pela mãe em uma instituição, Benni não pode ser contrariada por ninguém, ou então explode em uma fúria envolvendo palavrões e agressões físicas. Devido ao abandono, a jovem criou uma espécie de carência fora do limite, e isso é potencializado a cada mudança de ambiente enfrentada por ela.

    Ao longo de 120 minutos, a diretora intercala momentos de brutalidade com a inocência comum de uma garota da idade de Benni, equilibrando sua abordagem entre o descaso da sociedade em relação aos transtornos mentais e as consequências causadas pela desestruturação familiar. Dessa forma, Transtorno Explosivo se divide em dois caminhos diferentes, levando o público a buscar uma forma pessoal de interpretar essa história. Seria a garota realmente doente ou o desamparo familiar a deixou revoltada em um nível irreversível? 

    No decorrer da trama, a carência da criança é ilustrada com a presença de Michael Heller (Albrecht Schuch), um especialista em controle de raiva que trabalha na instituição, a quem ela se apega imediatamente e cria um laço delicado de convivência. Enquanto cada passo de Benni gera apreensão em Michael, o público é conduzido a se sentir da mesma forma, temendo que a garota exploda em fúria a qualquer sinal de descontentamento com alguma situação.

    É também dessa relação ilusória de pai e filha que vemos os momentos mais delicados do longa, com Benni correndo livremente por um campo enquanto se sente segura com o tutor provisório. Nas cenas, fica claro o objetivo da diretora em trazer à tela a doçura presente dentro de Benni, nos fazendo lembrar que apesar de todas situações descontroladas e impulsivas, ela é apenas uma criança que precisa de amor e atenção.

    Sem deixar claro os demais traumas que levaram Benni ao extremo, Transtorno Explosivo se distancia do julgamento: não há punição para as atitudes da criança e nem para a mãe que a abandona, da mesma forma em que não há verdade absoluta sobre o que de fato acontece na vida de ambas. É um misto de diagnósticos incertos e ruptura familiar que transforma a criança em um grande perigo para todos ao redor, explodindo em busca de liberdade e compreensão. 

    De todas as formas, Transtorno Explosivo traz ao público uma reflexão sobre como o desamparo e falta de afeto podem gerar desastrosas situações na vida de uma pessoa, além de tentar inserir delicadas críticas à falta de entendimento com transtornos psicológicos que vêm se tornando cada vez mais comum na nossa sociedade.