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    TRAPACEIROS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    “O que você diria se eu lhe dissesse que seu marido é um gênio?”, pergunta o criminoso Ray Winkler à sua esposa Frances. Ela responde: “Diria que eu sou bígama.” O diálogo, apenas um dos deliciosos momentos da comédia Trapaceiros, mostra mais uma vez que Woody Allen definitivamente retornou ao estilo que o consagrou: engraçado, simples, cínico, sutil, urbano, rápido, sem devaneios psicológicos. O personagem Ray Winkler, vivido por Woody, é uma espécie de reencarnação de Virgil Starkwell, que o próprio Woody Allen representou no antigo Um Assaltante Bem Trapalhão, comédia que alavancou sua carreira. Uma volta ao passado mais que bem-vinda.

    Winkler é um ex-presidiário que planeja alugar uma loja próxima a um banco, com o objetivo de cavar um túnel que supostamente o levaria a um cofre recheado. Porém, ele precisa que sua esposa Frances (Tracey Ullman) monte um negócio qualquer apenas para servir de fachada enquanto ele e seus comparsas fazem a escavação. A solução vem rápida: uma pequena padaria especializada em biscoitos.

    A partir daí, Trapaceiros se desenvolve em ritmo de comédia de erros (e de acertos inesperados) que aproveita o humor para criticar as diferenças de estilos entre as classes sociais. A riqueza traz mesmo a felicidade? O charme e a elegância podem ser comprados? Sem nenhuma pretensão intelectual, estas são algumas questões propostas pelo filme. Um trabalho divertido, repleto de personagens bem construídos e com a fineza de humor que sempre caracteriza os trabalhos de Woody Allen. Um fino biscoito.

    3 de janeiro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br