Pôster Três Verões

TRÊS VERÕES

(Três verões)

2019 , 94 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 03/09/2020

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sandra Kogut

    Equipe técnica

    Roteiro: Iana Cossoy Paro, Sandra Kogut

    Produção: Laurent Lavolé

    Fotografia: Ivo Lopes Araújo

    Trilha Sonora: Berna Ceppas

    Estúdio: Gloria Films Production, República Pureza Filmes

    Montador: Luisa Marques, Sergio Mekler

    Distribuidora: Vitrine Filmes

    Elenco

    Alexandre Varella, Alli Willow, Carla Ribas, Carolina Pismel, Cláudia Ventura, Daniel Rangel, Edmilson Barros, Gisele Fróes, Gustavo Machado, Jéssica Ellen, Luciano Vidigal, Otávio Muller, Paulo Verlings, Regina Casé, Rogério Fróes, Saulo Arcoverde, Vilma Melo, Ygor Manoel

  • Crítica

    18/09/2020 18h30

    Por Thamires Viana

    Trazer às telas um assunto como a operação Lava-Jato, um dos maiores escândalos políticos do país, tem seus desafios. Ele não é novidade no audiovisual pois já foi abordado no filme Polícia Federal - A Lei É Para Todos e na série O Mecanismo. O que eles têm em comum é a retratação da classe política, dos acusados e da ação da justiça. Mas o que fica de fora é o entorno da situação e as pessoas que indiretamente são afetadas pelo caso.

    É em Três Verões, novo longa de Sandra Kogut estrelado por Regina Casé, que vemos um olhar mais centrado do escândalo. Na trama, Madá é caseira da casa de praia de Marta e Edgar, um casal de classe alta que adora receber os amigos para as luxuosas festas de Natal e Ano Novo.

    No entanto, as ações políticas de Edgar o levam para a prisão e acabam trazendo consequências devastadoras para a família e os funcionários da casa. Com a ruptura familiar, Madá assume o comando da mansão ao lado de uma equipe de funcionários que se veem em meio a uma nova estruturação de suas vidas, incluindo a falta de pagamento dos salários e as incertezas adiante.

    Sutil, o roteiro de Kogut, escrito em parceria com Iana Cossoy Paro, retrata o abismo social de um país tomado pela corrupção e evita o uso de camadas extensas para contar essa história. É na leveza de um sorriso espontâneo de Madá que Três Verões se apoia para expor a realidade crua das desigualdades. O olhar minucioso da direção é eficaz até mesmo em descartar a presença de cenas explicativas sobre o desenrolar dos últimos acontecimentos, fazendo dos detalhes a base para reafirmar seu objetivo.

    Casé é um estouro em cena com sua personagem forte e determinada a reerguer a sua vida e das pessoas ao seu redor. A atriz leva para Madá uma inocência natural e uma alegria extrema, ao mesmo tempo em que deixa escapar nas entrelinhas o peso que a personagem carrega dentro de si. A caseira tem um jeitinho todo especial e íntimo com os patrões, sinal de quem trabalha há anos e se sente em casa, mas é o retrato de uma classe pobre que, infelizmente, ainda precisa engolir muitas coisas para conquistar seu verdadeiro espaço.

    Apesar da leveza, Três Verões é provocador na maneira em que conduz sua narrativa e na forma desafiadora em que aborda um assunto popular com outro viés. É inteligente e criativo ao ir na contramão com um tema que só deu olhares ao topo da pirâmide.



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