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    TRIPLO X

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    É muito divertido! Deixe do lado de fora do cinema todo o seu senso crítico, compre muita pipoca, relaxe na poltrona e divirta-se com as absurdas aventuras do mais novo agente secreto do cinema: Triplo X, uma mistura de James Bond, Rambo e Maxwell Smart (o Agente 86, lembram?)

    A primeira grande virtude do filme é que ele não se leva a sério em momento algum. Diferente de Stallone e Schwarzenegger, que fingiam viver papéis com alguma seriedade nas telas, o grandalhão Vin Diesel (de Velozes e Furiosos, uma espécie de Alexandre Frota americano) assume o escracho e o bom humor de um personagem que promete virar franquia. Ele vive Xander Cage, um atleta marombado que usa toda a sua habilidade em esportes radicais para protestar contra o que acha errado. Entre as suas atitudes está a de destruir o Corvette caríssimo de um senador ultraconservador. Xander seria algo assim como o líder de um Greenpeace radical. Não demora muito para que a Inteligência Americana perceba no rapaz qualidades mais que suficientes para convocá-lo – à força – para missões ultra-secretas do governo. Assim, contra a sua vontade, Xander é literalmente lançado numa missão especial, cujo conteúdo não tem a menor importância para o desenvolvimento do filme. A idéia é apresentar ao público doses maciças de ação em cima de ação, para que não haja tempo para pensar. E, afinal, quem quer pensar quando vê um filme destes?

    Espectadores antenados e de bom humor afiado vão perceber que Triplo X brinca com os próprios clichês que explora. A cena em que um líder das Farcs colombianas entra no galpão, onde os prisioneiros estão amarrados, é no mínimo hilariante: os próprios prisioneiros não conseguem conter o riso quando o mais caricato dos traficantes latinos já retratado pelo cinema entra no recinto, tira os óculos e faz cara de mau. Se James Bond já abriu um pára-quedas com a bandeira britânica, Xander faz igual, com a americana, é claro. E é impossível não pensar em 007 quando o carro de Xander – entupido de armas secretas e bugigangas de espionagem – necessita de um manual de instruções para ser compreendido e manuseado. Nem o desenho animado A Era do Gelo escapa das brincadeiras do roteiro (repare na cena da avalanche).

    Tudo isso faz de Triplo X uma brincadeira milionária que já rendeu mais de US$ 100 milhões nas bilheterias americanas e promete muito mais pelo mundo. A única nota triste do filme foi a morte do dublê Harry O’Connor, em Praga, durante a filmagem de uma cena de pára-sailing.

    6 de setembro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br