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    TRISTÃO E ISOLDA

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    A clássica lenda de amor e tragédia de Tristão e Isolda ganha ares de superprodução nesta versão cinematográfica dirigida por Kevin Reynolds. Para quem não se lembra, Reynolds foi do céu ao inferno hollywoodiano num curto período de tempo: ele dirigiu o grande sucesso Robin Hood em 1991 e, logo em seguida, perpetrou dois fracassos monumentais: Rapa Nui (94) e Waterworld (95), comprometendo definitivamente a carreira de seu amigo, xará e astro favorito: Kevin Costner. Em 2002, Reynolds obteve resultados bem melhores com um novo O Conde de Monte Cristo (com Jim Caviezel), e só agora, quatro anos mais tarde, consegue lançar Tristão e Isolda.

    A má notícia é que ele continua sendo um cineasta de mão pesada, de poucas sutilezas. A boa é que a trama é tão bem elaborada que prende a atenção, mesmo com os evidentes problemas de direção. Exemplos: o início é extremamente didático, com letreiros e mapas que ficariam melhor numa apresentação de Power Point que numa obra cinematográfica. A passagem de tempo do personagem Tristão - de criança a adulto - também é das menos sutis, escancarando na tela não só uma fusão convencional dos dois atores que vivem o personagem, como também o gritante letreiro "Nove anos depois". Tudo parece subestimar a inteligência do espectador.

    Aos poucos, porém, o filme vai melhorando. Para quem não conhece a lenda (pessoalmente, eu só conhecia a ópera de Wagner, mas não entendo uma palavra em alemão), Tristão (James Franco, o Harry Osborne de Homem-Aranha) é o herdeiro de um rei bretão assassinado pelo exército irlandês, logo após a queda do Império Romano. Ainda criança, ele é adotado por Lorde Marke (Rufus Sewell) e, quando cresce, passa a ser uma peça fundamental na defesa das terras bretãs contra os invasores irlandeses. Dado como morto durante uma batalha, Tristão é encontrado agonizante pela bela Isolda (Sophia Myles, de Underworld - Anjos da Noite), ninguém menos que a própria filha do rei da Irlanda, fazendo-se passar por uma plebéia. E em ritmo de "Romeu e Julieta", os dois jovens se apaixonam, sem saber que fazem parte de dois mundos conflitantes.

    A partir daí, a trama segue das mais envolventes, já que mistura doses certas de romance, guerra (as cenas de batalha são bastante convincentes), amizades, traições e política. O eficiente roteiro de Dean Georgaris (incrível, o mesmo roteirista de Lara Croft Tomb Raider: A Origem Da Vida!) evita o maniqueísmo fácil e tem o mérito de construir seus vários personagens com credibilidade e densidade. Sente-se, sim, a falta de uma estética mais cinematograficamente caprichada. Talvez a história seja muito ampla para ser contada em apenas 125 minutos, exigindo tempos mais televisivos e menos contemplativos. O torneio pela mão de Isolda, por exemplo, poderia ter sido mais amplamente explorado. Mas, no fim da projeção, Tristão e Isolda acaba agradando. Além disso, as belas locações na Irlanda e na República Checa e uma trilha sonora eficiente resultam num bom filme par se ver a dois.

    A lamentar, novamente, as legendas, que teimam em nivelar por baixo algumas preciosidades do texto. Como traduzir "eu vou esperar lá fora, junto aos outros animais" (referindo-se a uma suposta animalidade do ambiente interno) para "eu vou esperar lá fora com os cavalos".