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    TUDO FICARÁ BEM

    Coerente com a carreira do dinamarquês Christoffer Boe, suspense fala sobre roteirista obcecado<br />
    Por Heitor Augusto
    09/08/2011

    Se no início da carreira Christoffer Boe lidava com a obsessão masculina por uma figura feminina, em Tudo Ficará Bem temos um homem perturbado por suas histórias, pela maquete esquemática de seus roteiros. Pelo cinema, enfim. Nada mais coerente com a carreira do realizador dinamarquês, já que nos seus primeiros filmes a obsessão era pela imagem de uma mulher: e o que é o cinema senão a arte de dominar o tempo e o espaço pela imagem?

    Isso é o que de mais interessante há em Tudo Ficará Bem: a obsessão pelo cinema, compartilhada seja pelo cinéfilo que cresceu enfurnado em cineclubes, seja pelos mais jovens da geração da chamada “cinefilia de internet”, dos downloads e compartilhamento. Ao falar da perseguição de seu personagem Jacob Falk pelo cinema, Boe lança um espelho para o espectador ver-se refletido.

    Se tirada essa faceta do campo de análise, Tudo Ficará Bem torna-se apenas um bom filme de suspense que executa honestamente a construção de uma atmosfera claustrofóbica, cujo ciclo de loucura só leva para baixo.

    No enredo, Jacob (Jens Albinus, o executivo odiado de O Grande Chefe, de Lars Von Trier) é um roteirista sob pressão para entregar um projeto. Aos poucos, entra em estágio permanente de paranóia com seus personagens, em especial Ali (Igor Radosavljevic), contratado como intérprete do exército dinamarquês e testemunha de torturas.

    No entrelaço do suspense, Boe desenvolve duas tramas alternadas, embaralhando o espectador confuso em identificar duas histórias paralelas ou transversais. Até que ponto podemos confiar no que Jacob, o roteirista obcecado, nos entrega como verdade?

    Da encruzilhada, havia dois caminhos a tomar: sustentar a dúvida em torno das atitudes de Jacob ou esclarecê-la por inteiro. Tudo Ficará Bem envereda pela trilha mais pobre, a decifração total do mistério, culminando até num gran finale didático.

    Tudo Ficará Bem estabelece diálogo especialmente com o filme mais recente de Boe, Offscreen, no qual o fazer cinematográfico também é personagem. Apesar das relações entre si e a conexão harmônica com as opções de um realizador, temos apenas um bom suspense. E nada mais.