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    TULPAN

    Filme cazaque encontra beleza até mesmo em um deserto sem vegetação e poucos habitantes<br />
    Por Heitor Augusto
    25/03/2010

    Existe uma envolvente aura de surpresa e constante quebra de expectativa em Tulpan, o candidato que o Cazaquistão tentou emplacar a uma indicação ao Oscar de Filme Estrangeiro, mas não conseguiu.

    É a história de um jovem, Asa (Askhat Kuchinchirekov), que mora em uma estepe praticamente sem vegetação. Não há casas, vizinhos, comunidade, conversas para matar o tempo ou chá à tarde. Apenas as ovelhas, que precisam ser pastoreadas pelo marido da irmã, Ondas (Ondasyn Besikbasov). E uma menina chamada Tulpan, com quem Asa quer noivar.

    E de onde vêm as surpresas do filme? Deve se ao roteiro e à montagem a habilidade em alterar, uma sequência após a outra, a nossa expectativa com o que virá. A relação não é de causa e efeito: Asa ultrapassa heroicamente uma barreira, mas, na cena seguinte, não há a consagração e o conforto para o personagem. O que segue é um, digamos, banho de água fria e uma mudança no rumo de sua vida. Uma anti-jornada do herói.

    Simplesmente não sabemos o que vai acontecer! Intuímos, mas nossos instintos são guiados para outros mares. Tulpan, apesar de ter apenas quatro locações, está sempre em movimento, porque o personagem que motiva o filme quer sempre se mexer.

    À parte as expectativas não confirmadas e os desfechos temáticos que não são encerrados, ainda há espaço para o diretor Sergey Dvortsevoy falar de sonhos, relações e da vontade de uma pessoa em ser feliz, mesmo que seja com o desenho de um jardim na gola de seu uniforme.

    Tulpan encontra beleza até mesmo onde achamos ser impossível. Basta apenas um deserto, um punhado de personagens e um sentimento de urgência da vida. Temos um filme.