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    TURBO

    Falta de imaginação e clichês tiram brilho da animação
    Por Daniel Reininger
    18/07/2013

    O maior azarão do cinema acaba de surgir: Turbo - um caracol que sonha em correr as 500 Milhas de Indianápolis - e consegue. Embora o longa seja bastante divertido, a premissa abusa da fantasia e prova que as ideias para personagens de animações estão, de fato, acabando.

    A trama inusitada apresenta o caracol Theo, que inexplicavelmente está determinado a ser o mais rápido corredor do mundo. Seu irmão Chet (Paul Giamatti) tenta trazer o rapaz para a realidade, mas um acidente com nitroglicerina dá superpoderes ao protagonista, que adota o nome de Turbo. Os dois são então exilados de sua comunidade e vão parar, convenientemente, em um conjunto de lojas cujos donos vivem para fazer corridas entre caracóis.

    Turbo é colorido e simpático, porém a produção usa tantas ideias de outros filmes que fica difícil abstrair. Temos uma versão de Radiator Springs e da equipe de Carros, personagens e piadas saídas de Madagascar, crianças malvadas que se dão mal como em Toy Story e por aí vai. Isso não chega a acabar com a produção, só a transforma em mais do mesmo.

    Não existe espaço para inspiração nem mesmo quando os personagens (na versão original) de Samuel L. Jackson, Snoop Dogg e Michelle Rodriguez estão em cena. Os diálogos são repetitivos e é complicado levar a sério a relação amistosa entre o grupo de caracóis corredores e Theo. Tudo indica que eles se sentiriam ameaçados por Turbo, porém desde o começo estão dispostos a ajudá-lo a realizar seu sonho.

    Para compensar, o visual está ótimo e o 3D realmente encontrou seu lugar definitivo no gênero. O longa manda bem, principalmente, nas cenas da corrida. Só é bom lembrar que a qualidade e o bom uso da terceira dimensão se tornaram obrigatórios para animações de primeira linha em Hollywood, apesar de filmes como Hotel Transilvânia não terem entendido isso.

    Interessante mesmo é a maneira como a internet é decisiva para o protagonista participar das 500 milhas de Indianápolis. Uma simples filmagem de celular se torna um viral e atinge milhões de pessoas, que passam a se unir por uma causa que não faz o menor sentido. Só porque assistiram a um vídeo divertido no Youtube. Essa crítica à sociedade da informação é o ponto alto da produção e proporciona raro momento de criatividade e verossimilhança.

    Mesmo sendo mais um produto enlatado das cada vez menos criativas empresas de animação, Turbo tem todos os elementos para divertir pais e crianças. Claro que a mensagem do filme é clichê, como se tornou comum em desenhos animados recentes, afinal todo mundo sabe que nenhum sonho é grande demais se você focar sua mente para a tarefa. Entretanto, a lição real embutida é: se você é incapaz de grandeza, sempre pode trapacear – seja durante uma corrida ou na reutilização de boas ideias para aumentar a bilheteria.