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    TYSON

    Desprovido de pudor, Mike Tyson revela ambiguidades e talento de monstro<br />
    Por Heitor Augusto
    27/01/2010

    Se tivesse que destacar o principal mérito de Tyson, apontaria a capacidade do filme em mudar completamente (para melhor) a visão que temos do campeão pesos pesados mais jovem da história.

    Qual a razão para isso? O fato de o diretor James Toback não escolher entrevistados que se posicionem a favor do Kid Dynamite. Não há esposa, pais, filhos, ex-técnicos, ninguém em frente à câmera para defender que Tyson foi injustiçado e que a sociedade nunca o compreendeu. É apenas ele e a câmera, nada mais.

    O duelo é entre os dois e o mais assustador é a franqueza de Tyson. Fala com extrema animosidade do período em que foi agenciado por Don King, utilizando palavrões dos mais variados; com o mesmo vocabulário descreve Desiree Washington, que o levou à condenação por estupro, e nega com veemência a culpa.

    Com candura oposta, relembra o homem que o descobriu e o colocou no caminho das vitórias, Cus D’Amato – que no passado aconselhara Muhammad Ali em um combate com George Foreman. Aquele mesmo homem que detém o recorde de nocaute mais rápido da história, com 8 segundos de luta, fala com extremo carinho de seu mentor.

    Em Tyson, Michael Gerard Tyson apresenta-se como um ser humano comum, repleto de contradições. Desvela o caos que reina em sua cabeça e, ao mesmo tempo, mostra como a determinação e a disciplina no estudo do boxe o levaram ao topo no fim dos anos 80. Enxergamos um homem além da fachada de músculos.

    Assistir ao filme me fez pensar em duas situações ao longo de sua vida: e se Cus D’Amato não tivesse morrido em 1985, Tyson teria negligenciado sua carreira? E se ele não tivesse sido preso em 1992? Impossível prever, mas talvez ele teria chegado ao mesmo nível de excelência de Ali.

    É a mesma sensação de assistir a Maradona e pensar o que jogador argentino teria sido se não vivesse com cocaína no sangue mesmo durante um longo período, até mesmo no auge. Uma vida marcada pelo “se”.