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    UM AMOR A CADA ESQUINA

    Peter Bogdanovich dirige comédia leve depois longo hiato
    Por Edu Fernandes
    15/10/2015

    Egresso do movimento denominado Nova Hollywood, o cineasta Peter Bogdanovich (A Última Sessão De Cinema) teve uma produção constante do final dos anos 1960 até meados dos anos 1990. A partir daí, dedicou-se mais à televisão. Muitos anos após O Miado Do Gato (2001), o realizador volta a dirigir uma ficção para a tela grande com Um Amor a Cada Esquina.

    Para quem acompanha a produção mais recente, pode ser que o nome do diretor passe despercebido. Outros podem até pensar que o filme é obra de Woody Allen (Homem Irracional ), outro nome que nasceu na Nova Hollywood. A semelhança entre os cineastas está na locação, tema, gênero e no fato do longa contar com uma narração.
    Um Amor a Cada Esquina se passa em Nova York, cenário de muitos filmes de Allen. Na metrópole, o diretor Arnold Albertson (Owen Wilson, que trabalhou com Woody em Meia Noite Em Paris) monta uma peça e busca por uma protagonista.

    A favorita para o papel é Isabella (Imogen Poots , de Need For Speed), mas Arnold quer evitar que ela consiga o trabalho porque tem um passado com a moça. Algum tempo antes do teste, o diretor contratou a atriz para prestar o serviço de garota de programa, uma atividade que Isabella exerce para completar o orçamento. Finalmente, o papel vai para ela, muito por causa de uma campanha feita por Joshua (Will Forte, de Sem Direito A Resgate), o dramaturgo interessado nela.

    A situação dos personagens masculinos se complica por causa de seus cônjuges. Delta (Kathryn Hahn, de Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada É Impossível), esposa de Arnold, é uma das atrizes no elenco da peça. Por sua vez, Jane (Jennifer Aniston, de Quero Matar Meu Chefe) namora Joshua e é psicóloga de Isabella. Para completar, o mulherengo Seth (Rhys Ifans, de O Espetacular Homem-aranha), ator do espetáculo, não esconde seu longevo interesse por Delta. Entra aí o tema do adultério, assunto constante nos filmes de Woody Allen.

    Com esse jogo de interesses, o roteiro abusa de encontros forçados, como quando quase todos os personagens vão jantar no mesmo restaurante na mesma noite. Como se trata de uma comédia leve, essa liberdade narrativa não soa errada. Outro exemplo da leveza no humor de Um Amor a Cada Esquina está na figura de Harold (George Morfogen, de Oz), um detetive particular que usa disfarces nada convincentes para desempenhar seu ofício.

    Em alguns momentos, o excesso de inocência do roteiro soa antiquado. É nesse ponto que Bogdanovich denuncia sua atual inconstância na realização e o fato de que esse projeto está em andamento há vinte anos: já nos anos 1990, o diretor trabalhava no roteiro.

    Mesmo com esses pequenos obstáculos, Um Amor a Cada Esquina encontra seu público em quem está interessado em risadas despretensiosas que são obtidas por um elenco que funciona em cena e por diálogos fluídos. A medida do romance e da libertinagem dão ao filme seu tom simpático.