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    UM DIA

    Morno, novo filme de Lone Sherfig depende demais da dupla Anne Hathaway e Jim Sturgess<br />
    Por Heitor Augusto
    01/12/2011
    4/10

    UM DIA

    12
    Drama

    Por causa do carisma e empatia de Anne Hathaway e Jim Sturgess como casal repleto de desencontros que o romance Um Dia aparenta ser menos morno do que realmente é. Assim como o longa anterior da dinamarquesa Lone Sherfig, Educação, indicado a três Oscar em 2009, trata-se novamente de um filme marcado para emocionar ao comentar os acasos da vida e do amor.

    Novamente, uma produção de aprendizado, no qual os personagens saem de um jeito e, após o final do filme, terminam de outro. E o espectador vai reconfortado para casa, sem ter sido desafiado em momento algum do filme. Um filme de moral e de lição que não inquieta ou provoca.

    A história fala de Emma (Hathaway) e Dexter, que se conhecem em 15 de julho de 1988 após a formatura na faculdade. A partir de então, o espectador vai acompanhar, ano a ano, onde está ele e ela, se juntos, separados, viajando, descobrindo-se, encarando medos etc.

    Esse filme já foi visto algumas vezes. Na verdade, esse comentário cinematográfico todo certinho e arrumadinho tem sido realizado desde Harry & Sally – Feitos Um Para o Outro, de 1989, que consolidou uma forma de romance dos desencontros narrado com grandes intervalos de tempo. A diferença é que o filme de Rob Reiner tinha mais que carisma de dois atores.

    Quando tem um roteiro mais denso, com personagens desenvolvidos, que garantem a empatia do público, cujos dilemas não ficam na superfície, Lone Sherfig, a diretora, consegue até fazer um filme digno, caso de Educação. Se não, o resultado é Um Dia.

    Carregada nos filtros, a fotografia é bonita e tenta colocar Londres como uma personagem tão forte quanto os protagonistas. Benoît Delhomme, que fotografou O Menino do Pijama Listrado, faz sua parte, mas o restante do filme não acompanha. Especialmente o roteiro, escrito por David Nicholls, também autor do livro que dá base ao filme, que desenvolve pouco seus personagens.

    Por vinte anos, Emma e Dexter não saem da superfície. Falta de confiança, amor frustrado, soberba, jornada de descobrimento são alguns dos arquétipos que rondam o filme, mas não conseguem apresentar algo novo ou satisfatório. Resta mesmo Anne Hathaway repetindo com eficiência o tipo de menina inocente que tem de crescer – o que já acontecera em Noivas em Guerra – e Jim Sturgess, que veste com destreza o tipo descolado sedutor.

    Se você gosta de histórias delicadas sobre os desencontros do amor, o cinema italiano já ofereceu outro filme mais interessante em 2011: Dez Invernos, um dos queridinhos do público da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Mesmo previsível, ele consegue ter um charme e uma delicadeza que Um Dia não alcança.