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    UMA FAMÍLIA EM TÓQUIO

    Yôji Yamada faz boa releitura de clássico japonês
    Por Roberto Guerra
    04/02/2014

    Refilmar grandes obras do cinema é um desafio e tanto. É estar disposto a encarar as inevitáveis comparações. No caso de Uma Família em Tóquio, uma confrontação com Yasujiro Ozu (1903-1963), grande nome do cinema japonês que influenciou dezenas de cineastas no país.

    O veterano diretor Yôji Yamada (O Samurai do Entardecer) não se preocupou muito com a confrontação das obras. Talvez por isso tenha sido bem-sucedido em levar às telas uma releitura do clássico Era uma Vez em Tóquio (1953), adaptando a história para os dias de hoje.

    Na trama um casal de idosos que vive Hiroshima resolve passar uns dias em Tóquio, visitando os três filhos que há tempos se estabeleceram na capital e com quem têm pouco contato.

    O mais velho é Koichi, um médico casado e pai de dois filhos. A filha do meio, Shigeko, também casada, é dona de um salão de beleza. O caçula, Shoji, ainda solteiro, sobrevive de bicos como design de cenários de peças teatrais.

    O embate entre velho e novo é o norte do filme assim como no longa de Ozu, que colocava a tradições e valores familiares em confronto com a vida urbana contemporânea. Aos poucos, os pais vão percebendo que têm um espaço cada vez menor no cotidiano dos filhos e neste Japão cosmopolita.

    Shigeko, por exemplo, prefere pagar para que os pais fiquem num hotel a hospedá-los em casa. As intenções aparentemente são as melhores – a ideia é que os velhos fiquem mais confortáveis -, mas eles acabam por se sentirem peixes fora d'água, solitários no asséptico e luxuoso cinco estrelas.

    Apesar de seguir a linha de conflito do longa original, Uma Família em Tóquio é pontuado de referências à economia japonesa atual e menções a tragédias recentes do país, como o tsunami e o vazamento da usina nuclear de Fukushima. Um pano de fundo moderno para um estudo das relações familiares no Japão do século 21.

    Com duas horas em meia de duração, o filme é levado sem pressa por Yamada, o que pode gerar impaciência a quem está acostumado com tramas mais dinâmicas. Mas em Uma Família em Tóquio a duração prolongada não é supérflua e sim necessária à contemplação desses personagens e suas vivências.