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    UM GOLPE PERFEITO

    Ao ficar em cima do muro, longa perde quase todo potencial
    Por Cristina Tavelin
    10/06/2013

    Um personagem excêntrico traça plano megalomaníaco que envolve falsificação de quadros, uma cowgirl e um magnata colecionador de arte. Tudo isso seria muito previsível para a comédia, se não fosse por um detalhe: Um Golpe Perfeito tem roteiro de Joel e Ethan Coen. Logo, há expectativa por algo fora do comum com altas doses de humor negro. Expectativa que passa bem rápido.

    Se você assistiu Um Homem Sério, vai sofrer uma decepção avassaladora. Aqui, não há sarcasmo, ironia, e nem ao menos um humor simples que atinja o objetivo não tão simples de fazer o público dar risada. Ao ficar em cima do muro, Um Golpe Perfeito perde quase todo seu potencial. Talvez pela falta de tato do diretor Michael Hoffman, as situações terminam de forma constrangedora, gerando, no máximo, um sorriso amarelo.

    Colin Firth (O Discurso do Rei) encarna Harry Deane, um curador de arte tipicamente inglês a serviço do magnata "rude" Lionel Shahbandar, como sua gentileza britânica o define. Planeja dar um golpe no patrão lhe vendendo um Monet falso por uma quantia exorbitante. Para isso, traça um plano meticuloso e conta com a ajuda do falsificador e amigo Major Wingate e da rainha de rodeio texana PJ Puznowski, interpretada por Cameron Diaz.

    No início, tem-se a impressão que o filme vai surpreender, principalmente pela loucura aparente demonstrada por Harry. Porém, quando a trama entra na própria realidade, começa a perder fôlego. Colin Firth está muito bem no papel do típico inglês, assim como Alan Rickman na pele do magnata Shahbandar. Dos protagonistas, Cameron Diaz é a mais fraca. Pra variar, parece interpretar ela mesma. Você não vê a personagem, vê a Cameron vestida de cowgirl.

    Mesmo assim, a interação dos três é boa. O grande problema reside nas cenas onde o filme tem a pretensão de ser engraçado. Quando Harry perde as calças no parapeito do hotel, consegue causar apenas constrangimento, no máximo. Muito sem graça, sem ironia, sem nada. Além disso, os diálogos caricatos com personagens orientais são tão batidos que poderiam estar em qualquer filme da sessão da tarde, naquelas comédias bem superficiais que te fazem pegar no sono.

    Por incrível que pareça, Um Golpe Perfeito consegue entreter quando está mais sério e remete muito vagamente ao estilo noir - com cortes rápidos e criativos, foco no roubo de quadros e tentativa de concretizar um plano grandioso. O filme aposta bastante na trilha sonora e até em uma animação para introduzir a trama.

    O final também merece destaque, evidenciando o contraste entre a possível fraqueza de Harry e desfecho inesperado, que arremata o longa de forma surpreendente. Entretanto, entre o início promissor e o fim impactante, não existe apenas um mero detalhe, e sim um filme inteiro. E ele não se sai bem.