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    UM HOMEM ENTRE GIGANTES

    Will Smith brilha, mas trama desperdiça chances de crescer
    Por Iara Vasconcelos
    02/03/2016

    Se você descobrisse algo que poderia mudar para sempre o rumo das coisas e salvar vidas, mas para isso tivesse que enfrentar o o boicote de poderosas figuras, você diria a verdade mesmo assim? É em torno dessa questão moral que o drama Um Homem Entre Gigantes constrói sua narrativa.

    Dirigido por Peter Landesman, conhecido por sua cobertura do 11 de setembro, o filme traz Will Smith na pele do neuropatologista forense nigeriano Dr. Bennet Omalu, que após fazer a autópsia de um famoso ex-jogador de futebol americano, descobre que sua morte pode ter ligação com os repetidos golpes na cabeça comuns ao esporte. Acontece que essas concussões cerebrais sofridas durante o jogo resultavam em Encefalopatia Traumática Crônica, CTE em inglês, que pode levar a deteriorização do cérebro. Para a maioria dos médicos, o problema dos atletas era sempre depressão ou Alzheimer prematuro.

    Omalu resolve usar seus próprios recursos e tempo livre para pesquisar sobre o caso e descobre que outros jogadores podem ter sofrido do mesmo mal, entretanto essa descoberta desagrada a poderosa NFL, que faz de tudo para tirar a credibilidade dele no meio clínico.

    A trama expõe a corrupção e da hierarquia do sistema nos EUA e questiona até onde o lucro e o status de "paixão nacional" estão acima da saúde dos atletas. Como crítica social, o filme é necessário, mas a verdade é que, apesar do carisma e boa atuação de Smith, carece do brilho que qualquer jornada do herói necessita. Ao contrário, mostra um protagonista um tanto passivo e falha em criar um antagonista à história. De certa forma, isso acaba prejudicando o desempenho do ator, que não encontra oportunidades de mostrar seu potencial dramático como deveria.

    A subtrama que mostra a vida pessoal do médico também é mal desenvolvida. O romance entre ele e estudante queniana Prema Musito (Gugu Mbatha-Raw), que mais tarde torna-se sua esposa, parece deslocado e uma tentativa de apelar aos chavões melodramáticos das cinebiografias.

    No final, Um Homem Entre Gigantes é um filme muito fácil de engolir. Tão fácil que não chega a despertar grandes emoções ou empatia pela história. Até o lado crítico parece ter sido pouco explorado por desinteresse. Mesmo com potencial, a trama desperdiça todas as chances de se tornar grandiosa