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    UM HOMEM MISTERIOSO

    Anton Corbjin realiza filme multinacional e faz homenagem escancarada a Sergio Leone<br />
    Por Celso Sabadin
    19/11/2010

    Um diretor holandês realiza, na Itália, um filme baseado num livro de um escritor inglês. O ator principal, americano, contracena com duas belas atrizes, uma finlandesa e outra italiana. Assim, o multinacional Um Homem Misterioso, realizado por produtoras americanas e inglesas que estreia agora... no Brasil. E viva a globalização: o filme é ótimo!

    A partir do livro de Martin Booth, o diretor Anton Corbijn conta a história de Jack (George Clooney, ótimo), um gélido e calculista assassino profissional que se esconde numa minúscula cidade italiana, à espera de seu novo trabalho. Porém, a solidão e o isolamento provocam em Jack um sentimento nãoo apenas inesperado, como também totalmente inadequado para um assassino solitário: o amor. Ou, no mínimo, o desejo de mudar de vida.

    De ritmo deliciosamente lento, Um Homem Misterioso nunca é menos que hipnótico. Dirigido com as mesmas precisão e habilidade que seu protagonista demonstra ao fabricar armas artesanais, o filme exibe cada cena, cada momento, cada enquadramento (recheados de generosos closes de todo o elenco) de forma a seduzir a atenção do espectador desde os primeiros minutos. Um convite à degustação cinematográfica, sem pressa, que pouco a pouco desvenda a personalidade sofrida e solitária de um homem à procura de algo maior na vida.

    Com longos momentos de um bem-vindo silêncio, às vezes quebrado pela simples e eficiente trilha sonora do alemão Herbert Grönemeyer (que retorna ao cinema quase 30 anos depois de Sinfonia da Primavera), Um Homem Misterioso é um filme cozido em fogo baixo. Mistura drama com policial, sensualidade com suspense, e chega a dar alguns sustos típicos de Hitchcock.

    As palavras são poucas, porém marcantes. Em determinado momento, o Padre Benedetto (vivido por Paolo Bonacelli, pois todo filme passado na Itália precisa ter um padre) trava com Jack o seguinte diálogo:

    -Você quer publicar um guia turístico, mas não se interessa por História?
    -Não.
    -Ah, claro, você é americano. Pensa que pode escapar da História.
    -Eu só tiro fotos.

    A trajetória solitária de Jack e a direção segura de Corbijn são tão magnéticas que até se releva o estranho fato do protagonista fabricar armas de altíssima precisão a partir de peças usadas de automóveis, sem sair de seu quarto de hotel. Fantasia também faz parte.

    E, para os mais fanáticos, há ainda deliciosas referências cinematográficas. Repare, por exemplo, o estilo Sérgio Leone da cena em que Jack chega ao pequeno vilarejo italiano e é encarado, em super closes, pelos nativos. Puro Era uma Vez no Oeste. Pouco mais tarde, o diretor não resiste e homenageia Leone de forma mais escancarada. Confira.