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    UM LUGAR QUALQUER

    Novo longa de Sofia Coppola é carregado de sentimentos, mas passa longe da afetação e pieguice.
    Por Roberto Guerra
    27/01/2011

    A primeira cena de Um Lugar Qualquer mostra uma Ferrari preta rodando em círculos em alta velocidade. A câmera não a acompanha. Fixa, ela apenas registra repetidas vezes a passagem do carro pelo mesmo ponto da estrada. Fora de enquadramento, ouvimos apenas o ronco inconfundível do motor.

    A sequência é uma metáfora da vida de Johnny Marco (Stephen Dorff, de Blade - Caçador de Vampiros), astro do cinema que, assim como seu bólido, avança para lugar nenhum, sempre retornando ao mesmo ponto.

    Desfrutando da fama de uma carreira bem-sucedida, seu brilho nas telas não se reflete na vida pessoal. Quando não está filmando ou em algum compromisso de trabalho, seu dia-a-dia se resume a bebedeiras e farras com mulheres.

    É este personagem blasé que vamos descobrindo aos poucos nesse novo filme da cineasta Sofia Coppola (Encontros e Desencontros). E “aos poucos” aqui não é força de expressão. Um Lugar Qualquer não é um filme pressuroso como são as produções norte-americanas tradicionais. Não que Sofia negue a linguagem cinematográfica de seu país. Ela está presente na metáfora do carro em círculos no início e no desfecho que, bem ou mal, é bem americano. Mas o fato é que o filme desdobra-se num passo mais lento e contemplativo, bebendo de uma estética comumente relacionada com o cinema europeu e asiático.

    Este é o grande acerto do longa. Sofia deixa a sua câmara se demorar sobre os personagens e as situações fazendo com que as imagens falem por si. Temos um filme de poucos diálogos confrontando a típica produção hollywoodiana com falas em excesso explicando tudo em pormenores e deixando para o espectador comum pouco sobre o que refletir ou inferir.

    Voltando à vida apática do personagem central, a convivência inesperada com sua filha de 11 anos (Elle Fanning, à vontade e transpirando naturalidade no papel) é o ponto de virada da história que leva Johnny a reavaliar sua vida sem rumo. Tudo apresentado ao espectador sem narrativas didáticas e sem os clichês usuais do gênero, como em uma cena em que Cleo toma café da manhã com o pai e uma de suas amantes. Os olhares discretos e expressões faciais dizem tudo. Assim como acontece na maioria das vezes na vida real.

    Um Lugar Qualquer é um filme carregado de sentimentos que passa longe da afetação e pieguice. Vale cada centavo do ingresso.