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    UM SANTO VIZINHO

    Roteiro é previsível, mas atuação de Murray emociona
    Por Gustavo Assumpção
    19/02/2015

    Consagrado após um excelente trabalho em Encontros e Desencontros, Bill Murray não conseguiu manter o mesmo reconhecimento em filmes mais recentes. Felizmente ele volta à sua melhor forma em Um Santo Vizinho, dramédia que traz uma das atuações mais tocantes que você verá no cinema neste ano. 

    Murray interpreta o personagem-título, um veterano de guerra descendente de irlandeses que vive solitário em sua casa padrão classe média na companhia de seu gato. Entre as apostas em disputas de turfe, problemas com agiotas e o relacionamento perturbado com a stripper Daka (Naomi Watts), ele vê sua vida mudar com a chegada dos novos vizinhos: Maggie (Melissa McCarthy) e seu filho Oliver (Jaeden Lieberher).

    É da união entre esse pequeno garoto, frágil e observador, com o velho ranzinza e grosseiro interpretado por Murray que surge uma relação que ajuda no crescimento de ambos.Você já deve ter visto uma quantidade incontável de filmes em que essa mesma fórmula se repente, mas aqui, a atuação de seu protagonista impede o filme de mergulhar em seus clichês.

    Murray se esforça a todo momento para elevar o texto, como se tentasse fugir dos tentáculos do afeto barato. Em partes consegue, principalmente quando se apóia nos alívios cômicos do roteiro para impedir que o diretor exagere do açúcar. Recheada de humor negro, piadas preconceituosas e muitas situações irremediavelmente engraçadas, o filme ultrapassa suas previsibilidades e diverte.

    Um Santo Vizinho é resultado da experiência pessoal de Theodore Melfi, que assina produção, direção e o roteiro do projeto. Há sete anos, Melfi perdeu o irmão de maneira precoce, adotou sua sobrinha e se mudou para uma cidade rural no Tennessee. Lá, a pequena garota começou a estudar na Notre Dame High School, uma escola católica, onde recebeu uma missão: encontrar um santo católico que a inspirasse e tivesse relação com alguém que ela conhece na vida real.

    Partindo desta experiência, Melf procura construir uma história que nos ajuda a entender que nossa percepção sobre o outro é, por vezes, equivocada. Mesmo que tal mensagem possa parecer infantil ou exageradamente otimista, passar pouco mais de uma hora e meia na companha de um Bill Murray em atuação digna de Oscar não é de todo mal. No fim, os clichês de Um Santo Vizinho são tão perdoáveis quanto as grosserias gratuitas de Vincent. Pode apostar.