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    UM SONHO DE AMOR

    Estrelado por Tilda Swinton, drama italiano mostra romance extra-conjugal em família burguesia<br />
    Por Heitor Augusto
    15/08/2011

    A maior estranheza de Um Sonho de Amor é o diálogo de escolas cinematográficas. Às vezes, nos sentimentos em um filme de Visconti por conta da elegância da elite. Por outras, o uso extensivo de zoom e a quebra das aparências burguesas lembra Pasolini. Já o figurino impecável nos coloca na adaptação de Tom Ford em Direito de Amar.

    No conjunto, Um Sonho de Amor poderia ser dividido em três crônicas: da família, ambientada em Milão; do amor, vivida em San Remo; do trabalho, contaminada por Londres. Cada uma dessas cidades permite um diferente desenvolvimento dos personagens, caminhando ou em direção à alegria ou ao lamento.

    Na primeira, conhecemos os Recchi, nome tradicional da burguesia industrial. O núcleo familiar está com o casal Tancredi (Pippo Delbono, grande ator de teatro) e Emma (Tilda Swinton) e seus filhos, Edoardo (Flavio Parenti), Betta (Alba Rohrwacher) e Gianluca (Mattia Zacaro). A estável família encontra novos caminhos quando o avô morre e o cozinheiro Antonio (Edoardo Gabbriellini), amigo do filho primogênito, aproxima-se dos Recchi.

    Um Sonho de Amor é sobre o fim de um mundo e o começo do outro. Nesse intervalo, valorizam-se os grandes momentos de descoberta e prazer, mesmo que o saldo não leve a uma resolução idílica.

    Praticamente obrigatório por ambientar o enredo numa família riquíssima, os comentários de classe são matéria interessantíssima no filme, tão poderosa quanto em Vejo Você no Próximo Verão. Aqui, porém, ainda existe o fetiche da senhora rica e branca pelo plebeu corado de sol, cujo amor rende cenas de excitação latente – mesmo que em outros momentos a direção de Luca Guandagnino mostre um gosto duvidoso pelo contraluz.

    Guandagnino inverte trajetórias e tenta seduzir o espectador com a criação de movimento nas cenas. Mas Um Sonho de Amor deixa claro o começo, o meio e o fim que cada personagem irá atravessar. No caminho, interessantes comentários sobre o amor, o desejo, o conflito de classe, as descobertas e a mudança de um mundo do capital industrial para o especulativo.

    Não só o fim da família Recchi como tal, mas a finitude de um modelo de família. Um filme sedutor em suas pequenas pretensões.