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    UMA DOBRA NO TEMPO

    Por Iara Vasconcelos
    28/03/2018
    Uma Dobra no Tempo

    Após investir pesado em versões live-action de suas clássicas animações, a Disney volta a uma de suas maiores especialidades: Filmes de fantasia.

    O mais novo projeto do estúdio é baseado em um livro de bastante sucesso nos EUA, mas nem tão conhecido aqui no Brasil. Dirigido por Ava DuVernay (Selma), Uma Dobra no Tempo é inspirado na aventura homônima de Madeleine L'Engle e reforça o desejo da empresa de trazer mais representatividade às telonas com um elenco etnicamente diverso e com mensagens motivadoras para as jovens garotas.

    Na trama, o mundo da jovem Meg Murry (Storm Reid) vira de cabeça para baixo após o misterioso desaparecimento de seu pai (Chris Pine), um cientista famoso por defender a existência de um conceito de teletransporte para outras partes do universo, batizado de Tesseract. Vítima de bullying na escola, ela vê as suas notas diminuírem à medida em que seu comportamento hostil só se intensifica. O seu único refúgio é sua mãe, vivida por Gugu Mbatha-Raw, e o seu irmão adotivo mais novo, Charles Wallace (Deric McCabe).

    Quatro anos se passaram desde o ocorrido, mas Meg e a família ainda acreditam que o Dr. Murry pode retornar. E essa possibilidade parece ainda mais próxima depois que seu irmão lhe apresenta três misteriosas mulheres com poderes extraordinários que ajudarão a dupla nessa jornada cheia de perigos: Sra. Quequeé (Reese Witherspoon), Sra. Qual (Oprah Winfrey) e Sra. Quem (Mindy Kaling).

    Claramente focado no público infanto-juvenil, o filme usa e abusa de clichês sobre aceitação e o poder da força interior e dos bons pensamentos, mas que nunca serão datados quando os espectadores em questão são seres-humanos em plena formação. Por isso, é recomendável que os adultos encarem a trama com um pouco mais de leveza e coração aberto e deixem a acidez em casa.

    Apesar de abordar temas complexos como viagens no tempo e os mistérios do universo, Uma Dobra no Tempo faz isso de uma forma didática e simplificada, possibilitando que os pequenos entendam o que se passa na tela sem grandes dificuldades. Apesar disso, o seu clímax traz algumas cenas um tanto assustadoras e as semelhanças com a versão de Alice No País Das Maravilhas, de Tim Burton, se fazem mais óbvias nesse momento.

    A narrativa se desenvolve sem impedimentos e não há nada que fique mal explicado ou enfadonho demais. No máximo, poderíamos dizer que o vilão do filme não é tão complexo e interessante quanto esperávamos e poderia ser melhor desenvolvido, talvez personificado em alguma figura, mesmo que fugisse um pouco do que é mostrado no livro.

    E por falar na obra, podemos dizer que a versão da Disney é bastante fiel a história, realizando apenas algumas pequenas mudanças que não chegam a desvirtuar sua estrutura, como por exemplo o fato dos irmãos gêmeos de Meg não aparecerem na adaptação.

    O longa faz bastante uso de CGI e o resultado não é nem tão desastroso quanto a Fera bizarra de A Bela E A Fera, nem tão realista quanto o de Mogli - O Menino Lobo. Ava Duvernay claramente se preocupou em captar imagens suficientes de cenários reais para que o filme, apesar de fantasioso, ainda tivesse um certo ar realista.

    A direção de Duvernay é um grande acerto. Acostumada a temáticas mais sérias e a recursos apertados, a cineasta conseguiu dar alma e propósito ao longa, que tinha tudo para ser ofuscado pelos efeitos visuais e cenários grandiosos que o seu orçamento milionário (em torno de US$ 100 milhões) lhe proporcionou.

    Uma Dobra no Tempo não deve ser um filme que entrará para o hall das grandes aventuras infanto-juvenis, como é o caso de Harry Potter e Jogos Vorazes, mas não deixa de ser um belo incentivo para que o gênero volte a se estabelecer em Hollywood.