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    UMA FAMÍLIA EM APUROS

    Comédia explora mal possibilidades de humor, mas faz crítica ácida à condescendência dos pais
    Por Roberto Guerra
    07/01/2013

    Dois grandes nomes do humor, Billy Crystal e Bette Midler, não brilham nesta comédia familiar. Uma decepção para quem conhece o potencial da dupla. Em Uma Família em Apuros eles interpretam Artie e Diane Decker, casal de meia-idade que assume a responsabilidade de cuidar dos netos enquanto a filha, Alice (Marisa Tomei), passa uma semana de férias com o marido, vivido pelo ator Tom Everett Scott.

    O mote para o humor seria o choque entre o estilo old school dos avós de cuidar de crianças e a maneira superprotetora e condescendente de Alice e do marido de conduzir a educação dos filhos. Seria.

    O potencial humorístico do argumento, infelizmente, é mal aproveitado. Boa parte das piadas e situações cômicas têm pouca graça. Há, porém, uma compensação ao humor capenga: a crítica que o longa faz à influência da praga mais notória de nossos tempos, o politicamente correto, na educação de jovens e crianças.

    Os netos de Artie e Diane são os problemáticos Harper (Bailee Madison), Turner (Joshua Rush) e Barker (Kyle Harrison Breitkopf). Superprotegidos pelos pais, seguem um sem número de regras de comportamento tolas que, em vez de ajudá-los a se preparar para a vida, só os confundem ainda mais. A mais velha, Harper, vive a pressão de passar numa audiência de violino aos 12 anos. O do meio, Turner, desenvolveu uma gagueira por lidar mal com as pressões sofridas na escola. O caçula é hiperativo (esse neologismo que criaram para classificar crianças que não se contentam em ficar estáticas em frente a TV) e vive em função de um amigo imaginário.

    Antes de partir, Alice faz uma espécie de preleção com os pais na qual determina as regras que devem seguir ao cuidar dos netos, entre elas jamais pronunciar a palavra “não” para as crianças. Segundo argumenta para os atônitos Artie e Diane, a palavra intimida o potencial deles de tomarem decisões por si só. Orientados sobre essas e outras bobagens, os avós até que tentam seguir o método a princípio, mas, naturalmente, as coisas não dão muito certo.

    A crítica não é restrita aos pais das crianças e avança também ao ambiente escolar. Harper tem uma professora de música que a trata com a rigidez de um sargento. Invariavelmente a menina deixa as aulas chorando. Turner cuida da gagueira com uma fonoaudióloga que adota um método “inovador” no qual as crianças se expressam por meio de mímica (?). O objetivo, diz a profissional ao avô Artie, que faz piada com a estratégia ridícula, é não pressionar a criança a falar. Hã? Barker, por sua vez, joga num time de beisebol infantil no qual todas as partidas terminam obrigatoriamente em empate. A ideia de jerico: evitar expor as crianças à decepção da derrota.

    O filme trata disso tudo em tom de brincadeira, usando de humor que nem sempre funciona. Faltou criatividade para arrancar risos de situações ricas em possibilidades. Mas a reflexão que o longa traz sobre o papinho “do bem” do politicamente correto, que está longe de descrever a realidade do mundo, faz de Uma Família em Apuros um filme indicado a se assistir em família. Se fizer meia dúzia de pais refletirem sobre a educação insensata e excessivamente indulgente que possam estar dando a seus filhos, já vale (e muito) o ingresso.