cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA

    Animação tem produção caprichada, finalização impecável, mas peca no revisionismo histórico simplista
    Por Roberto Guerra
    03/04/2013

    Fã de grafic novels desde os tempos de adolescente, o roteirista Luiz Bolognesi (dos premiados Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade) desejava fazer uma animação para o público adulto que contivesse a essência dos quadrinhos em seu traço e tratasse da História do Brasil em seu enredo. Da concepção até a conclusão foram 10 anos de trabalho ao custo de R$ 4,5 milhões. Empenho e investimento nítidos na tela neste trabalho diferenciado e de acabamento refinado.

    Em tempos de predomínio dos recursos digitais nas animações, Uma História de Amor e Fúria chama a atenção por ter sido realizado com técnicas clássicas - os personagens foram desenhados e animados com lápis sobre papel. Os computadores só entraram na composição dos cenários e na sequência final do filme. Outro aspecto interessante da produção foi o fato de os desenhistas trabalharem em cima das interpretações previamente gravadas dos atores. Normalmente, estes colocam suas vozes em cima da animação já pronta.

    O longa acompanha as aventuras de um guerreiro Tupinambá (Selton Mello). Na época da chegada dos portugueses ao Brasil, ele é escolhido para combater Anhangá - força representante de todo o mal - e agreaciado com a imortalidade. Apaixonado por Janaína (Camila Pitanga), seu amor atravessa os séculos e sobrevive às diversas reencarnações da jovem. O guerreiro assume a forma de um pássaro quando morre e retorna à forma humana sempre que reencontra sua amada, seja na pele de um negro durante o período da escravidão ou como um jovem militante na resistência contra o regime militar.

    Voltado para o público adulto, o enredo da produção têm tom sério e trata de temas como guerras, injustiças e sexualidade. De estética atraente e uniforme, o filme tem excelente trilha sonora muito bem acondicionada à trama. O trabalho de edição de som também é elogiável, fazendo uma perfeita ambientação sonora de florestas, áreas rurais e metrópoles - algo fundamental para que o espectador sinta-se dentro de casa universo.

    O problema de Uma História de Amor e Fúria está no roteiro. Talvez pela necessidade de não se estender demais, o filme tem ritmo acelerado e peca pela falta de aprofundamento em determinados pontos. Isso diminui sensivelmente o impacto das agruras sofridas pelos personagens. O problema se torna ainda mais evidente pelo fato do filme ser desenvolvido de forma episódica. Ao final, tem-se a impressão que apenas a parte final, ambientada num Rio de Janeiro futurista, parece ter sido desenvolvida a contento.

    Para piorar, o longa propõe um revisionismo histórico pueril, onde Anhangá (o mal) é representado sempre pelo Estado, corporações e forças de segurança. Visão de mundo pobre e superficial que parece saída da cabeça de algum desses jovens que recentemente hostilizaram uma blogueira por aqui.