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    UMA LADRA SEM LIMITES

    Comédia fracassa ao não conseguir que o público simpatize com a protagonista como era de se esperar
    Por Roberto Guerra
    05/05/2013

    Esta comédia de Seth Gordon (mesmo diretor do fraco Quero Matar Meu Chefe) comete um erro primário logo em seus 30 minutos iniciais. Sua protagonista, a tal criminosa que dá nome ao filme, não consegue conquistar a simpatia do público, muito pelo contrário. E deste deslize o filme não consegue se recuperar nem mesmo com os nítidos esforços que faz em sua reta final, quando descobrimos, como esperado neste tipo de longa, que ela não é tão má pessoa assim.

    Diana (Melissa McCarthy) é uma estelionatária especializada em conseguir dados pessoais de suas vítimas, clonar seus cartões de crédito e curtir vida de luxo enquanto os arruína financeiramente. Sua mais recente presa é Sandy Petterson (Jason Bateman), de quem copia a identidade por este ter nome que serve tanto para homem quanto para mulher.

    O roteirista Craig Mazin, aparentemente, acreditou que isso fosse divertido, já que por vezes a história busca o riso ao brincar com o nome andrógino do personagem - o que definitivamente não é engraçado. Há outras gags igualmente pouco funcionais, como o hábito de Diana de dar socos na garganta das pessoas, o que, mesmo não fazendo rir, é repetido à exaustão.

    Sandy trabalha numa financeira, ganha pouco e é desprezado por seu chefe (Jon Favreau). Tem esposa (Amanda Peet), dois filhos e mais um a caminho. Quando funcionários da empresa decidem se rebelar e começar o próprio negócio, Sandy se junta a eles para ganhar bem mais, proposta providencial para quem está com as contas apertadas. O que não sabe ainda é que Diana está estourando seus cartões de crédito na Flórida, o que coloca seu novo emprego em risco quando um mandado de prisão é expedido em seu nome.

    Até aqui a única coisa que o público alimenta por Diana é o desprezo que costumeiramente se tem por bandidos. E a delicadeza de elefante em loja de cristais de Gordon na condução de algumas cenas só piora as coisas. Exemplo disso é a sequência passada em um bar em que Diana paga bebidas para todos e se embriaga. Havia a chance ali de, sutilmente, buscar a compaixão do público pela personagem, uma solitária em busca de atenção. Mas a cena é tão mal conduzida que o diretor a resolve tacanhamente com um barman dizendo a Diana que pessoas como ela não têm amigos.

    Quando o mal-entendido sobre a ordem de prisão é resolvido com a polícia, por uma razão que não faz o mais absoluto sentido, Sandy viaja para a Flórida para capturar Diana e salvar seu emprego. Na lógica do filme, a polícia nada pode fazer. O encontro com a criminosa transforma sua viagem numa grande aventura já que é obrigado a lidar com dois mafiosos que querem matar a estelionatária e um caçador de recompensas.

    As muitas tentativas de arrancar humor das situações que se seguem - que incluem Diana inventando uma história nonsense sobre Sandy ter seus órgãos genitais mutilados num incêndio, só para citar um exemplo - não funcionam. A proximidade afetiva dos personagens também é mal desenvolvida. Sandy, e inexplicavelmente sua mulher, se convencem muito fácil de que Diana, afinal de contas, é só uma pobre coitada precisando de atenção. O espectador, no entanto, dificilmente entra nessa.