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    UMA MÃE EM APUROS

    A comédia trata-se de um simples e benvindo convite à reflexão<br />
    Por Celso Sabadin
    11/01/2010

    Embora o título e o cartaz tentem vender a imagem de comédia, Uma Mãe em Apuros não é exatamente um filme feito para rir, mas sim para refletir. Com bom humor, é verdade. Mas talvez a classificação “romance” caísse melhor para este filme, nesta era em que por mais que o cinema evolua e se transforme, os marqueteiros de plantão ainda insistam em engessar as produções cinematográficas em classificações ultrapassadas.

    Rótulos à parte, Uma Mãe em Apuros consegue uma rápida e imediata empatia com boa parte da população, já que mostra uma situação das mais comuns para a grande maioria das mães urbanas: a eterna tentativa de conciliar afazeres domésticos com filhos, casamento, orçamento, amigos e - se der tempo - um mínimo de realização pessoal. Tudo é analisado sob o ponto de vista de Eliza (Uma Thurman, desglamurizada), uma nova-iorquina que entra em crise ao ver sua vida pessoal e seus sonhos se esvaindo entre um dever doméstico e outro, entre uma confusão de trânsito e outra, entre uma conta a pagar e outra. O marido (Anthony Edwards) não ajuda muito e, para piorar as coisas, os nova-iorquinos parecem se tornar cada vez mais neurastênicos em suas cruzadas pela crucificação de tudo que seja politicamente incorreto. Enfim, a vida de Eliza está se tornando um inferno e é preciso fazer alguma coisa.

    A roteirista e diretora Katherine Dieckmann leva o filme com sobriedade. Embora ela seja especializada em clipes musicais, a narrativa não se apoia sobre grandes arroubos nem temáticos nem cinematográficos. Tudo leva a marca da simplicidade e da verossimilhança de uma personagem simples e verossímil. E, por isso mesmo, com grande capacidade de identificação e empatia. Seguidores de Syd Field talvez estranhem o fato do filme não surpreender com reviravoltas cronometradas ou soluções fantásticas, mas é justamente isso que faz o charme de Uma Mãe em Apuros.

    Trata-se de um simples e bem-vindo convite à reflexão. Um elogio a uma época quase já esquecida, na qual, no dizer de uma das personagens, fumavam-se mais baseados, ouviam-se músicas mais alto e as posições políticas eram mais firmes.