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    UMA RELAÇÃO DELICADA

    Narrativa problemática afeta credibilidade da trama
    Por Roberto Guerra
    19/05/2014

    A diretora Catherine Breillat (A Última Amante) se inspirou num acontecimento infeliz de sua vida para levar às telas este drama. Acabou provando em Uma Relação Delicada que nem toda tragédia pessoal merece uma reconstituição cinematográfica.

    O filme conta a história de Maud (Isabelle Huppert), cineasta vítima de AVC que passa a se dedicar com afinco a seu novo filme enquanto convive com os entraves físicos que o problema de saúde lhe impôs. Ela conhece Vilko (Kool Shen), vigarista que passou 12 anos na cadeia, por meio de um programa de TV. Decide, então, que ele será o ator principal de seu longa.

    Vilko - que pelo jeito não se emendou com o tempo de tranca - é seduzido pela riqueza da cineasta ao mesmo tempo em que a seduz com sua personalidade forte. Com o estreitamento da amizade, ele começa a pedir dinheiro emprestado a Maud prometendo devolver tudo de volta em breve.

    Uma Relação Delicada, no entanto, não consegue tornar crível esse laço de confiança, tampouco a razão de Maud emprestar tanto dinheiro a Vilko mesmo sabendo de seu passado pregresso. Segue-se então uma sucessão de acontecimentos aleatórios que não vão conseguir justificar, mais à diante, a tensão dramática da conclusão da trama.

    Como o filme concentra-se basicamente na relação entre Maud e Vilko , acaba tornando-se repetitivo e cansativo com o passar do tempo. Resta ao espectador seguir adiante se perguntando quanto tempo vai demorar para Maud finalmente acordar e enxergar a realidade da situação improvável na qual se meteu.

    No fim das contas, o atrativo do longa é ver a performance de Isabelle Huppert, que corporifica bem as exigências físicas do papel e esforça-se em expor a vulnerabilidade necessária para tornar minimamente verossímil ser influenciada por um tipo como Vilko. O roteiro cheio de hiatos narrativos de Catherine Breillat, no entanto, atravanca a diligência da atriz.