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    SOB A PELE

    Profundo, drama sci-fi critica relações humanas
    Por Ana Carolina Addario
    14/05/2014

    Embora aborde a conhecida fragilidade do processo de humanização, Sob A Pele não é um filme comum sobre extraterrestres vivendo entre os homens. Com tom crítico e roteiro consistente, o longa de Jonathan Glazer discute as relações humanas através do desenvolvimento das emoções. Fotografia gélida e trilha sonora primorosa ajudam a compor o cenário perfeito para a trama.

    No drama sci-fi, Laura é uma E.T. na Terra, disfarçada como uma bela mulher, vagando por estradas remotas para atrair presas humanas com sua sensualidade. À medida que começa a perceber a complexidade das relações, sua maneira de enxergar o mundo se transforma e ela própria passa a experimentar uma nova forma de lidar com suas vítimas.

    Nada em Sob a Pele é completamente explícito, declarado ou previsível. Nos primeiros momentos do filme, o público é apresentado ao processo da incorporação do alienígena (sim, ela/ele se apropria da conveniente embalagem da bela atriz) e percebe seu menosprezo pelo ser humano. Mesmo as cenas nas quais ela atrai suas presas para a morte são figurativas, sem se apoiar em clichês violentos e previsíveis como "nós versus eles". 

    O processo de humanização da protagonista de Glazer é igualmente sutil e profundo, dedicado a fazer o público intuir sobre os acontecimentos. A identidade alienígena da personagem começa a ser representada por longos silêncios e pelo olhar vazio de Laura, que sorri para atrair as presas, literalmente, até o escuro da morte. Até que, aos poucos, dá espaço para expressões suaves e até verdadeiras reações emotivas. Como sugere o próprio título, o filme ultrapassa as camadas superficiais da existência humana para encontrar referências muito mais perto da raíz do ser humano. Um trabalho intenso e verdadeiro de imersão.

    A direção do filme tem grande parte deste mérito, mas o trabalho de interpretação de Scarlett Johansson é impecável. Ela é apática e fria como supõe-se que um ser destituído de experiências emocionais deva ser, e sua evolução durante o processo de aprendizado na Terra é extremamente convincente e bem interpretada. Diferente da alienígena que vive, a atriz não é apenas uma bela embalagem para atrair interessados.

    Nas entrelinhas de Sob a Pele, Glazer arrisca dizer que tornar-se humano equivale a se permitir ser mais frágil, um risco inevitável mesmo para os mais resguardados emocionalmente. Uma discussão profunda o suficiente para sustentar sua trama. Ainda assim, o diretor foi capaz de construir um universo visual igualmente tão rico: não espantaria vê-lo replicado em futuras produções.