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    VAI QUE DÁ CERTO 2

    Comédia sem identidade própria se mostra irregular
    Por Pedro Tritto
    07/01/2016

    Em 2013, a comédia Vai Que Dá Certo conseguiu cativar o público ao apostar em um humor contemporâneo e afiado. Pena que a sua continuação Vai Que Dá Certo 2, também dirigido por Maurício Farias, não consegue repetir nem um pouco o nível do antecessor.

    Com grande parte do elenco do primeiro filme de volta (Gregório Duvivier, o Vaguinho, ficou de fora), a sequência tenta seguir a mesma pegada do primeiro longa, focando em um humor bastante sarcástico, algo que Seth Rogen e Jonah Hill costumam fazer em suas películas. Pena que o resultado final não é nada positivo, principalmente por trazer piadas sem graça e imaturas na maior parte do tempo.

    Além disso, os personagens parecem não se conectar com a proposta da trama. Enquanto Amaral (Fábio Porchat) e Tonico (Felipe Abib) vivem em uma comédia com suas tiradas infantis e forçadas, Rodrigo (Danton Mello) parece estar em um drama, afinal, seu recém matrimônio vive sua primeira crise e uma ameaça começa a assombrá-lo.

    Vladmir Brichta, que interpreta o vilão Elói, parece estar em um thriller de ação. Aliás, o ator é uma das poucas virtudes do longa. Além de talentoso, o ator demonstra a seriedade de um filme policial tradicional e entende a importância e o espaço que seu personagem possui na trama.

    No entanto, para um filme ser completo, personagens e trama precisam caminhar de maneira harmoniosa. Isso está longe de acontecer. Essa fusão de gêneros que vemos nas personalidades dos principais envolvidos da história deixa a película sem identidade própria.

    Na trama, Rodrigo se casa com Jacqueline (Natália Lage), mas já precisa administrar algumas crises com a esposa, principalmente por causa de Danilo (Lúcio Mauro Filho), seu primo irresponsável que morre de maneira misteriosa.

    Enquanto isso, Amaral e Tonico encontram um vídeo com cenas comprometedoras da irmã de Danilo, Simone (Veronica Debom), com o interesseiro Elói. Querendo dinheiro, os amigos do protagonista tentam se aproveitar da situação, mas o plano da dupla não funciona, pois muitas pessoas, incluindo dois policiais corruptos, parecem ter grande interesse no conteúdo.

    Talvez o mais interessante desse longa é que, em alguns momentos, a trama ganha um tom de espionagem e mistério. Isso é possível detectar na parte final do filme, quando Rodrigo e os amigos vão para um sítio encontrar com os bandidos. No entanto, tudo isso acaba se perdendo, principalmente por causa das cenas de ação, que não convencem, e dos diálogos forçados e artificiais.

    Enquanto o primeiro Vai Que Dá Certo até consegue cativar pela sua simplicidade e pelo plano claramente amador criado pelo grupo de amigos, a sequência está longe de saber o que quer. Em resumo, não consegue ser engraçado, sério, pastelão, misterioso e nem crítico. Para piorar, Vai Que Dá Certo 2 se apresenta de maneira irregular, com mensagens machistas e ultrapassadas.