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    VALERIAN E A CIDADE DOS MIL PLANETAS

    Filme tem estética primorosa, mas trama é atribulada
    Por Iara Vasconcelos
    09/08/2017

    Valerian E A Cidade Dos Mil Planetas chega aos cinemas na mesma época em que O Quinto Elemento completa 20 anos. Coincidência? Talvez não. Em sua passagem pelo Brasil, Luc Besson deixou claro que seu novo filme era uma evolução de seu trabalho como cineasta e acredita que esse é o momento exato para um filme tão ousado e com o orçamento tão alto, afinal é a produção mais cara da França com custo de US$ 210 milhões.

    De fato, Valerian é um sci-fi grandioso por seu visual e narrativa incomum, entretanto sofre com os excessos e a falta de química entre o casal protagonista.

    A trama é baseada na HQ francesa escrita por Jean-Claude Mézières e existe uma razão forte para Besson tenha escolhido adaptá-la: Valerian foi a primeira história em quadrinhos que o diretor leu e a protagonista Laureline foi uma paixão de infância.

    A história se concentra na dupla de agentes intergalácticos Valerian (Dane Dehaan) e Laureline (Cara Delevingne), que vivenciam uma espécie de amor mal resolvido e tentam separar essa questão da rotina profissional (mas sem sucesso).

    + Veja a passagem de Luc Besson e Dane Dehaan pelo Brasil

    Ao chegarem em Alpha, que abriga uma variedade de pessoas de todas as espécies e culturas do universo, eles são encarregados da missão de investigar um planeta desconhecido que pode representar uma ameaça aos milhões de habitantes da Cidade dos Mil Planetas.

    As cores fortes e vibrantes e as criaturas de aparência estranha, que fizeram a fama do diretor em O Quinto Elemento, continuam uma constante, mas a trama carece de um fator que prenda o espectador e que não seja derivado de algum artifício de efeitos especiais.

    A versão cinematográfica não é exatamente fiel à HQ - principalmente no que tange a nomes de lugares e traços da personalidade de alguns personagens - entretanto Besson faz um bom trabalho em atualizar o conceito de futurístico para uma realidade mais plausível, afinal a história original foi publicada nos anos 60 e muitos gadgets da época não são exatamente novidade nos dias de hoje. Mas é na ânsia de abranger toda a magnitude das páginas para as telonas que ele acaba se perdendo.

    Além de dirigir, Besson também escreve o roteiro de Valerian, só que o resultado é uma trama que necessitava muito ser polida. Há várias situações acontecendo ao mesmo tempo e diversos arcos sem amarração que vão a lugar nenhum.

    Outro grande problema recaí sobre os protagonistas. Dehaan não convence como um mulherengo irremediável, enquanto Delevingne parece não ter perdido a postura e as caras e bocas da época de modelo. Já como casal, eles se mostram incapazes de despertar qualquer tipo de afinidade em quem assiste.

    Em meio a atuações, por vezes monótonas, até Rihanna acaba roubando a cena com um strip-tease todo poderoso e sensual. Pena que a participação da cantora não foi mais explorada e, diante de uma personagem tão superficial e pouco relevante, se torna até injusto julgar suas habilidades de atuação.

    Com um orçamento milionário e um nome feito em Hollywood, é normal que Luc Besson tenha dado um passo maior que a própria perna e criado um "Quinto Elemento com esteróides". Não há como negar que Valerian é um filme corajoso e esteticamente primoroso, mas como diria o velho ditado: Beleza não se põe a mesa.