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    VENDO OU ALUGO

    Comédia alterna boas piadas e situações pouco criativas
    Por Roberto Guerra
    04/08/2013

    A comédia Vendo ou Alugo conseguiu um feito e tanto meses antes de sua estreia: faturou 12 prêmios no Cine PE – Festival do Audiovisual, sendo eleito o melhor filme pelo júri oficial, pelo público e pela crítica. Outras tantas láureas completaram o êxito: melhor direção, roteiro, atriz, ator coadjuvante e por aí vai. Alguns merecidíssimos, outros nem tanto. Ainda não discutindo os méritos do longa – e ele os tem - é preciso contextualizar. A seleção do festival pernambucano deste ano estava sofrível e, como diz o ditado, "em terra de cego quem tem um olho é rei".

    É inegável que a diretora e roteirista Betse de Paula (de Celeste e Estrela) fez algo bem arriscado e atípico (ao menos no cinema de humor atual feito no país), que foi levar às telas uma comédia que toca num sem número de questões sociais, repleta de personagens de conduta duvidosa, mas leve e agradável como deve ser toda boa comédia. Evitou sabiamente o tom panfletário ou julgar seus protagonistas e demonstrou habilidade em conduzir muitos personagens, algo difícil quando se tem a limitação temporal de contar uma história no máximo em duas horas.

    O longa se passa no Rio de Janeiro. Maria Alice (Marieta Severo) vive com a mãe (Nathália Timberg), a filha (Sílvia Buarque) e a neta (Beatriz Morgana) em um casarão no Leme, bem na entrada de uma favela. Quatro gerações de uma família que já foi rica, mas que se encontra mergulhada em dividas. O pano de fundo da trama é a outrora festiva mansão, que precisa ser vendida urgentemente para que o quarteto fuja da pindaíba e do entorno dominado pelo tráfico e violência.

    Como cinema é trabalho de equipe, Vendo ou Alugo vale-se também do bom cast. Se todo filme corre o risco de fazer água, de dar errado, este diminui sensivelmente quando se tem no elenco nomes como Marieta Severo, Nathalia Timberg, Marcos Palmeira, Silvia Buarque e André Mattos, por exemplo. Essa turma sabe arrancar verdade de seus personagens. E se estes forem minimamente bem construídos pelo roteiro, como é o caso, tornam-se críveis aos olhos do espectador, não importando se na comédia trabalha-se num tom acima para ser obter o riso.

    Falta a Vendo ou Alugo, no entanto, um texto cômico mais afiado. Da ficha técnica do filme constam seis roteiristas e talvez seja esse seu problema: muita gente opinando, sugerindo. A máxima "muitas cabeças pensam melhor que uma" nem sempre se aplica ao cinema. Uma certa mão ditatorial seria uma boa pedida aqui para evitar que piadas tolas numa cena batessem de frente com outras criativas e bem elaboradas na sequência seguinte. O desequilíbrio, por mais que a montagem se esforce para dar conjunto, é evidente.

    A graça em Vendo ou Alugo não é coesa e basta confrontar seu início e fim para atestar isso. As sequências que abrem o filme, nas quais somos apresentados aos personagens centrais, sugerem ao público um humor mais sutil, que não busca a gargalhada, mas a comicidade intrínseca às situações. A sequência final, envolvendo uma overdose gastronômica de maconha, com a participação infeliz de uns policias caricatos, beira o pastelão e escracho.

    Vendo ou Alugo, sem dúvidas, é uma comédia brasileira acima da média. Mas como disse na abertura desse texto, é preciso contextualizar e não esquecer que a média é bem ruim.