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    'Venom - Tempo de Carnificina' diverte com história de amor bizarra

    Diretor Andy Serkis colocou a franquia no caminho certo
    Por Daniel Reininger
    06/10/2021 - Atualizado há 4 dias

    O primeiro Venom é confuso e sem foco, mas fez sucesso, faturou uma boa grana nas bilheterias e ganhou uma sequência. Aí, Andy Serkis (o César de Planeta Dos Macacos) entrou na jogada e transformou o filme em uma história de amor que não se leva a sério, afinal o foco é a relação entre o simbionte e Eddie Brock. 

    O cineasta ainda adicionou um toque de selvageria ao apresentar o vilão Carnificina. Com isso, Venom 2 é capaz de cumprir seu objetivo de divertir com muita bizarrice e, humor e ação desenfreada.

    O próprio Andy Serkis descreve o filme como uma história de amor entre os protagonistas e essa ideia é refletida com habilidade por meio de um roteiro simples e direção precisa. O diretor garante cenas de ação bem construídas, momentos engraçados e uma trama com uma abordagem bastante pessoal, sem falar em um empolgante confronto entre Venom e Cletus Kasady / Carnificina (Woody Harrelson).

    A trama apresenta um vilão desequilibrado e vingativo, enquanto Eddie e um detetive se juntam para descobrir informações de seus assassinatos. Embora essa seja apenas a premissa inicial, logo fica claro que esse longa é um híbrido de filme de monstro e investigação, enquanto Serkis equilibra com eficiência vários tons para fazê-lo funcionar. 

    A sequência também dá mais espaço para o simbionte brilhar. As frases ácidas de Venom cortam momentos tensos como um alívio cômico pontual, afinal, a relação dele e Eddie é realmente algo curioso de se acompanhar. A convivência deles é conturbada e o alienígena costuma agir de forma impulsiva. Isso tudo, somado aos problemas de comunicação da dupla, os coloca numa baita confusão com Carnificina.

    Além disso, as pessoas ao redor dos protagonistas realmente se importam com os dois e garantem uma humanidade bastante tocante ao filme. Dessa vez, o elenco de apoio é pequeno e conta apenas com o Detetive Mulligan (Stephen Graham), Anne (Michelle Williams), Dan (Reid Scott) e a Sra. Chen (Peggy Lu). Todos esses personagens interagem e se cruzam ao longo do filme, deixando tudo mais pessoal.

    O filme acerta até mesmo nos vilões: Kasady, Carnificina e Shriek (Naomie Harris) são antagonistas com estilo, totalmente caóticos e amantes da destruição. No filme, Harrelson retorna ao seu personagem clássico de Assassinos por Natureza, Mickey Knox, e parece se divertir demais com isso. E quando ele se reúne com alguém que é tão inteligente, brutal e implacável quanto ele, é realmente difícil não torcer para que eles consigam escapar e deixar seu passado para trás. Eles são esquisitos e ótimos!

    Para completar, a experiência de Serkis com captura de movimento garante cenas realistas. Sua confiança em efeitos visuais práticos e gerados por computador faz a presença de Venom ser sentida de maneiras impressionantes, como quando o simbionte destrói a cozinha de Eddie. Sem falar que a batalha final, por exemplo, está repleta de movimentos ferozes e criativos entre inimigos e, enquanto Carnificina ataca com grotescos braços pontiagudos, Venom defende com uma mentalidade de sobrevivência instintiva. É um belo combate!

    Apesar desses ótimos pontos, Tempo de Carnificina segue a estrutura básica dos filmes de super-heróis atuais e nunca arrisca. Por um lado, é uma baita evolução em relação ao confuso primeiro filme, por outro, uma decepão ver o filme jogar seguro. Ao menos, a grande reviravolta está na cena pós-créditos, que traça uma nova direção para o anti-herói e o une ao MCU.

    Venom: Tempo de Carnificina é curto, ágil e divertido. O filme coloca o Protetor Letal em uma história que abraça seu lado mais estranho, com direção firme de Andy Serkis e participação inspirada de Woody Harrelson e Naomie Harris como vilões.

    Sem se levar a sério, o filme está repleto de ação, bom desenvolvimento de personagens e humor exagerado, enquanto mostra a evolução do relacionamento dos protagonistas, que aprendem a conviver e confiar um no outro. Venom se redimiu após o triste primeiro filme, agora é ver até onde esse amado personagem pode chegar nas telonas.