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    VENTOS DE AGOSTO

    Contemplativo, drama é uma experiência desafiadora
    Por Gustavo Assumpção
    12/11/2014

    Vencedor de Menção Honrosa do júri do Festival de Locarno, Ventos de Agosto é a estreia do jovem Gabriel Mascaro em longas-metragens depois de carreira considerável em curtas. Ousado e experimental, o filme faz uma reflexão sensível sobre a morte, mas parece indeciso em sua proposta. 

    Em tom contemplativo, o filme é formado pela conexão de várias ideias. A protagonista aqui é Shirley (Dandara de Moraes), uma menina fã de rock que se mudou para uma vilã litorânea em Alagoas para cuidar da avó. Entre os desdobramentos de seu relacionamento com Jeison (Geová Manoel dos Santos) e a chegada de um estranho pesquisador ao vilarejo, o filme parece apostar em grandes metáforas, tentativas de refletir sobre vida e morte, sobre o mar e terra.

    Shirley conduz a trama, mas talvez não seja o seu personagem principal. É o vento, a natureza, que parece levar os personagens para seus caminhos. Por isso, o diretor privilegia os planos abertos, o som ambiente, retratos lentos da vida cotidiana dessas pessoas. A colheita dos cocos, os mergulhos no mar que revelam segredos, as conversas desconexas no final da tarde.  As sequências mostram um trabalho maduro e sensível da fotografia assinada pelo próprio Mascaro

    Apesar do impacto visual, Ventos de Agosto parece perdido na tentativa de criar sentido em torno de suas metáforas. Falta um maior empenho na construção de seu roteiro, já que a tentativa de costurar esses personagens em suas tramas parece, mesmo que a beleza de suas sequências, um flerte exagerado com a imaginação do espectador. Faltam elementos para compreender o filme em todas as suas possibilidades, algo que parece resultado de uma indecisão de sua narrativa, um exagero na contemplação.

    Ventos de Agosto tenta nos aproximar do mais simples e natural da vida humana, da tênue relação entre vida e morte, da oposição entre juventude e velhice. O mar e o vento são a passagem de tempo, elementos que nos empurram para nossos destinos. Um filme para ver, apesar de suas heterogeneidades.