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    VIRANDO A PÁGINA

    Hugh Grant e Marisa Tomei são destaques dessa leve comédia
    Por Edu Fernandes
    24/06/2015

    Diz a sabedoria popular que não se mexe em time que está ganhando. É com isso em mente que o diretor Marc Lawrence (Cadê Os Morgan?) se une pela quarta vez com o ator Hugh Grant (O Diário De Bridget Jones) em Virando A Página e o entrosamento entre os dois é perceptível nas cenas da nova comédia.

    Grant interpreta Keith, um roteirista que não consegue emplacar um novo projeto em Hollywood. Ele tenta vender novas ideias para estúdios, mas recebe apenas recusas. Por isso, está endividado e propenso a aceitar qualquer oferta de trabalho.

    Com esse contexto desesperado, a agente dele (Caroline Aaron, de Anjos Da Lei 2) o indica para um novo caminho em sua carreira: ensinar roteiro cinematográfico em uma universidade. No começo, ele não gosta da proposta, mas suas dívidas falam mais alto. Por isso, o escritor muda de residência com o plano de ser o professor mais picareta do campus.

    Depois de definido o propósito nada nobre, Keith seleciona para sua aula alguns garotos nerds e um bom tanto de beldades. Para completar a receita, ele mantém um relacionamento sexual com uma de suas alunas (Bella Heathcote, de  Sombras Da Noite), apesar de isso ser contra as regras da instituição.

    A fama profissional do protagonista se dá por causa de um roteiro premiado que ele escreveu no milênio passado. Paraíso Perdido é um filme marcante que ofusca os demais fracassos em sua carreira. Por ser um homem assombrado por um sucesso do passado, o personagem lembra muito o papel de Grant em Letra E Música (2007), onde o meio musical é substituído pelos bastidores da sétima arte – e outra parceria com o diretor.

    O roteiro de Virando a Página foi escrito com o ator em mente, por isso que muitas piadas nos diálogos caem tão bem. O humor tem tempero britânico, o que dá acidez e personalidade ao longa.

    Para não se tornar um filme ególatra e misógino, Keith passa por uma transformação. A primeira influência se dá pela presença de Holly (Marisa Tomei, de  O Lutador), uma mulher mais madura que estuda na universidade. Ela é aceita tardiamente ao curso de roteiro e sua convivência com o protagonista dá alguma voz de sensatez ao estilo de vida juvenil que ele leva.

    Outro fator que causa impacto no roteirista e professor é a descoberta de sua falta de ética profissional. O chefe do departamento (J.K. Simmons, de Whiplash - Em Busca Da Perfeição) o alerta de que uma das colegas (Allison Janney, de A Espiã Que Sabia De Menos) está determinada a dar um fim na carreira acadêmica dele. A ameaça faz com que Keith comece a ver o lado bonito da docência, o que o transforma em um homem com mais caráter.

    Virando a Página acerta ao focar sua carga dramática no campo profissional de seu personagem principal. Há uma clara aproximação romântica entre Keith e Holly, mas isso fica em segundo plano. Com isso, o filme foge da estrutura desgastada da comédia romântica tradicional e consegue passar uma mensagem positiva que deixa o público com um sorriso nos lábios no final da sessão.