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    VIVA VOZ

    Por Roberto Guerra
    22/05/2009

    Existem comédias que te fazem gargalhar, algumas que provocam riso contido, outras que ficam só na intenção de fazer rir. Por último, existe um caso raro de comédia que, de tão ruim, num determinado momento começa a se tornar engraçada. A graça, naturalmente, não está nas situações supostamente cômicas do filme e sim em suas sofríveis, às vezes ridículas, tentativas de fazer humor. Este é o caso de Viva Voz, de Paulo Morelli, que estréia este fim de semana no País.

    Que não venham me acusar de atacar o cinema brasileiro e tal. Quem acompanha meu trabalho sabe muito bem que sou um defensor inveterado do cinema nacional. Mas também não vou ser condescendente. Viva Voz é um filme ruim, independente da nacionalidade. O que é uma pena, tendo em vista o bom elenco reunido: Vivianne Pasmanter, Dan Stulbach (conhecido por interpretar o marido violento de Mulheres Apaixonadas), Betty Gofman e Graziella Moretto (Domésticas). Como se pode ver, o problema não está nos atores. Também não está na direção de Morelli, que conduz o filme tecnicamente bem. Então qual seria o problema? Tentem advinhar... Acertou quem falou "roteiro".

    Mais uma vez uma boa idéia resulta num mau filme por conta de um roteiro fraco. A história é centrada em Duda, personagem de Dan Stulbach, um empresário bem-sucedido que se vê numa enrascada por conta de seu sócio (Luciano Chirolli) e sua amante (Graziella Moretto), que estão mancomunados para lhe roubar dinheiro. As coisas pioram quando, por acidente, a fogosa amante aperta a tecla send de seu celular, acionando o número de sua mulher, Mari (Vivianne Pasmanter), que passa a escutar tudo que o marido e a amante falam. Daí em diante, vemos Mari e sua amiga Déia (Betty Gofman) acompanharem Duda pelo viva-voz do carro enquanto, paralelamente, acontecem traições, desvio de dinheiro, assaltos, seqüestros e até uma tentativa de assassinato.

    Como se pode ver, a idéia até que poderia render um bom filme, mas faltou substância, tiradas realmente engraçadas, talento para fazer humor. As gags são bobas, os diálogos infantis, nada funciona. E a coisa vai piorando ao longo da projeção. Ao final, não consegui segurar um riso constrangido.