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    VOCAÇÃO DO PODER

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    A idéia de Vocação do Poder é semelhante à de Entreatos (2004): a produção de um documentário que acompanhe uma campanha política. Enquanto a equipe de João Moreira Salles esteve presente no dia-a-dia da campanha presidencial do atual Presidente da República, Vocação do Poder mostra ao espectador o que acontece durante a campanha de seis candidatos ao cargo de vereador da cidade do Rio de Janeiro em 2004, todos disputando a vaga pela primeira vez.

    Não há um perfil para os personagens deste documentário, a não ser o fato de serem novatos no mundo da política. Filiados a partidos de diferentes siglas e portes, temos desde um rapper (MC Geléia) até uma pastora (Márcia Teixeira, a única mulher do grupo), passando por um empresário (Antonio Pedro Figueira de Mello), o advogado Felipe Santa Cruz e dois jovens: Carlo Caiado, de 24 anos, e André Luiz Filho, de 21. Desses, o mais envolvido com o mundo da política é, também, o mais novo do grupo e o melhor "abastecido" na campanha. Filho de deputados, André Luiz é um extremo do grupo em se tratando da estrutura da campanha eleitoral. Enquanto ele tem caminhões e já é popular em sua comunidade, o candidato MC Geléia mal tem dinheiro para colocar cartazes.

    Este pequeno grupo de candidatos reflete diretamente a condição política em nosso País. A mesma desigualdade encontrada nas ruas está nas urnas e, também, nos possíveis representantes do povo. Apesar da conclusão óbvia, Vocação do Poder passa longe da obviedade, encontrando uma abordagem clara e direta por meio de depoimentos e flagrantes sucintos que servem para iluminar um pouco mais a mente do espectador. A escolha de nossos representantes está em pauta, coisa que pouco acontece no cinema. Dessa forma, o documentário, dirigido por Eduardo Escorel e José Joffily, torna-se indispensável não somente aos espectadores, ou aos apreciadores de documentários, mas sim para todos os eleitores brasileiros.