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    VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS: UMA APOSTA MUITO LOUCA

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    O tombo foi feio: refilmar o clássico A Volta ao Mundo em 80 Dias custou US$ 110 milhões e rendeu menos da metade nos cinemas dos EUA e Inglaterra. A Volta ao Mundo em 80 Dias - Uma Aposta Muito Louca não merecia um castigo tão grande. Não que seja uma maravilha, muito longe disso, mas também não é tão desastroso quanto seu fracasso financeiro possa deixar transparecer. Ele correu, sim, o risco de toda refilmagem: ser comparado ao original e perder. No caso, perder feio para a versão de 1956.

    Esta releitura do livro clássico de Julio Verne optou pelo humor infantil, ingênuo, a um passo dos Trapalhões, e apostou suas fichas no carisma de Jackie Chan que, além do papel de Passepartout (que foi de Cantinflas no filme original), também assina como produtor executivo. O fio condutor da história é o mesmo: no final do século 19, o visionário inventor Phileas Fogg (Steve Coogan) aposta com os conservadores membros da Real Academia de Ciências (capitaneada por um ótimo Jim Broadbent, de Moulin Rouge - O Amor Em Vermelho) que é possível dar a volta ao mundo em 80 dias. Claro, numa época onde o avião ainda não existia. Ele se enrosca com Monique (a belga Cécile de France, de Albergue Espanhol), uma aspirante à pintora impressionista, e, ao lado do fiel escudeiro Passepartout, sai pelo planeta para provar sua teoria.

    Para justificar a presença de Chan, o novo roteiro inventa uma historinha batida sobre um ídolo de jade que foi roubado de uma aldeia chinesa e precisa ser recuperado. Motivo mais do que suficiente para que o filme - uma aventura romântica, em sua concepção básica - tenha seus momentos de artes marciais, desvirtuando o texto original, mas adaptando sua ação às platéias mais jovens. O resultado é irregular. Por um lado, algumas "participações" especiais (Irmãos Wright, Van Gogh, Rainha Vitória) tentam dar um sabor mais sofisticado à trama. Do outro, o roteiro carece - e muito - de um humor mais elaborado. O desenho de produção não faz feio, mas a falta de boas piadas e a não utilização de locações originais (quase tudo foi rodado na Alemanha) comprometem bastante esta refilmagem. E o pior: ao contrário de todos os filmes de Chan, este não mostra os erros de filmagem nos créditos finais. Imperdoável.

    Em tempo: Arnold Schwarzenegger faz aqui sua última participação no cinema antes de ser eleito governador da Califórnia.