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    VOU PARA CASA

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Aos 93 anos, Manoel de Oliveira é o mais antigo cineasta ainda em atividade em todo mundo. Na maioria das vezes, seus filmes têm a lentidão típica de sua idade e se tornam verdadeiros calvários para olhares mais ansiosos. Neste seu novo trabalho, Oliveira reduz para 90 minutos o tempo de sua trama (quase sempre superior a 120) e explora o universo dos atores e da arte de interpretar.

    A trama fala de Gilbert Valence (Michel Piccoli), um veterano e aclamado ator de teatro. Quase no mesmo momento em que consegue um importante papel numa peça de Ionesco, Gilbert recebe também a trágica notícia da morte de sua esposa, filha e genro num acidente de automóvel. Mesmo com toda a dor, como se diz nos palcos, o show deve continuar. Gilbert passa a dividir sua vida entre seu neto e sua arte, preparando-se agora para viver Próspero, o herói shakespeareano da peça A Tempestade. É neste ponto de sua vida e de sua carreira que o veterano ator recebe uma proposta no mínimo estranha: atuar como protagonista em um filme para TV, cheio de sexo, drogas e violência. O cachê é dos mais altos.

    Por meio desse dilema, Oliveira disseca o mundo da mídia atual, vazia e popularesca, confrontando-a com uma espécie de arte que parece estar em extinção. Aos 93 anos, o cineasta fala dos tempos modernos, da futilidade e do consumo rápido. Tudo dentro de seu estilo. Um estilo nem sempre fácil de digerir, mas que merece um segundo olhar, mais complacente.

    31 de julho de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br