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    VOVÓ... ZONA 3 - TAL PAI, TAL FILHO

    Terceiro filme tenta mesclar policial, comédia e romance musical. Erra em todos e passa longe da diversão<br />
    Por Celso Sabadin
    02/03/2011

    O pato é um animal eclético. Ele anda, voa, e nada. Tudo muito mal. Lembrei-me do pato ao ver Vovó… Zona 3 – Tal Pai, Tal Filho. O filme tem momentos de comédia, cenas de romance musical e tentativas de ação policial. E assim como o pato, não realiza bem nenhuma das três tarefas a que se propõe.

    Requentando o personagem criado em 2000, o agente do FBI Malcolm (Martin Lawrence) agora tem problemas com seu enteado Trent (Brandon T. Jackson, de Trovão Tropical), que prefere investir na instável carreira de rapper a cursar uma universidade. Uma série de confusões e mal-entendidos (tanto dos personagens como do roteiro) faz com que ambos se disfarcem de mulheres para que possam se infiltrar numa escola só de garotas, onde tentarão desvendar um crime. É baseado na velha situação de homens fingindo ser mulheres circulando livremente num ambiente exclusivamente feminino que Vovó… Zona 3 busca o riso. Billy Wilder e toda a equipe de Quanto Mais Quente Melhor devem estar se revirando em seus túmulos.

    Claro, não é o tipo do filme em que se busca muita verossimilhança. Mas também não precisa exagerar. Um agente do FBI que põe uma testemunha importante em situação de alto risco, numa operação absolutamente solitária, sem nenhum acompanhamento ou cobertura? Uma governanta que só aceita trabalhar numa escola se sua sobrinha-neta ganhar uma vaga como aluna? Criminosos que encontram quem procuram apenas passeando na praça? Bandidos que entram na casa de sua vítima e param tudo o que estão fazendo para escutar um CD? Isso sem falar na legenda em português, que decide por conta própria traduzir “Area 51” por “Bangu 1”. Mas aí já não é culpa de John Whitesell, o diretor do filme. Esta culpa ele não tem. Pelo menos esta.

    O problema de tantos rombos de roteiro é que juntos eles vão desanimando até o mais generoso dos espectadores, distanciando a trama de qualquer lógica básica que ela pudesse oferecer (fico com a sensação de que estou demorando a escrever esta crítica mais tempo que os roteiristas levaram para escrever o filme todo).

    Ao perceber que o filme perde o fôlego, tenta-se consertar o desastre com situações policiais, uma perseguição de carros aqui, um tiroteiozinho ali, mas tudo muito fora de contexto, sem acrescentar nada nem ao ritmo da trama nem ao interesse pelos personagens.

    Deixando a lógica de lado, tudo isso seria perdoado se Vovó… Zona 3 fosse, pelo menos, divertido. Não é o caso. Piadas sem graça somadas a situações repetitivas já exploradas nos dois primeiros filmes da franquia não conseguem instigar o riso. Talvez apenas um leve sorriso, quando Malcolm “descobre” porque determinado balé é chamado de Quebra Nozes.

    É pouco, Muito pouco.