cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    VOZES INOCENTES

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Historicamente, o melodrama e o exagero são dois traços bem marcantes da cultura mexicana. Filmes anteriores do diretor Luis Mandoki reforçam esse fato: Gaby - Uma História Verdadeira, Quando um Homem Ama uma Mulher e Uma Carta de Amor são podem ser considerados exatamente como exemplos de sutileza. Sem entrar em juízo de valor, até a expressão "melodrama mexicano" é mundialmente conhecida. O novo filme de Mandoki - Vozes Inocentes - não renega as raízes culturais de seu diretor.

    Vozes Inocentes é baseado na história real de Oscar Torres, salvadorenho que fugiu de seu país ainda garoto, estabeleceu-se nos EUA, conseguiu se tornar ator em alguns filmes menores e, agora, traz a público este roteiro dirigido e produzido por Mandoki. O filme se concentra apenas num breve período da vida de Torres - entre seus 11 e 14 anos -. mostrando a terrível realidade da favela onde vivia com sua mãe e dois irmãos, em El Salvador. Em plena guerra civil, seu humilde barraco estava constantemente na linha de fogo entre governo e rebeldes. Balas chispando por sua cabeça e corpos amontoados pelas vielas formavam a realidade cotidiana do pequeno Oscar (no filme, Chava, interpretado pelo garoto Carlos Padilla).

    O grande problema do filme é justamente a mão pesada de Mandoki, essa sua tendência para o melodrama. Realizar uma cena com uma mãe e seus filhos escondidos debaixo da cama, enquanto balas perfuram o barraco e zunem por suas cabeças, por si só já é algo difícil de fazer sem escorregar no sentimentalismo. Agora, repetir a situação mais de uma vez no mesmo filme é abusar um pouco. E que tal um abraço entre mãe e filho em câmera lenta, após um tiroteio?

    Garotos sofridos por garotos sofridos, sou muito mais o pequeno Machuca, protagonista do filme homônimo. Vozes Inocentes tem uma boa história para contar, mas se perde nas armadilhas sentimentais armadas pelo seu próprio diretor. Uma curiosidade: a trilha sonora é do brasileiro André Abujamra, de quem Mandoki também não extrai o seu melhor.